Mercado de picapes sofre baixas. Ele vai mesmo decolar?

Segmento é dominado por fabricantes com tradição e novatas têm dificuldades em conseguir sucesso. VW e Mercedes-Benz lidaram com picapes canceladas recentemente

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Tarok foi mostrada no Salão de São Paulo de 2018 e ainda está em aprovação Crédito: Paulo Whitaker/Reuters

O mercado de picapes tem algumas particularidades, e elas não são exclusivas do Brasil. Modelos bem sucedidos não necessariamente são os mais baratos ou bonitos. Entre os fatores que costumam eleger modelos usados tanto para trabalho ou lazer estão confiabilidade mecânica, equipamentos e algum status. E quando determinados modelos atingem o sucesso, como Toyota Hilux e Fiat Strada, as campeãs entre as picapes médias e compactas, respectivamente, é difícil alguma novata ganhar o público e ascender ao topo.

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Casos como o da Fiat Toro são raros, embora o sucesso da Strada tenha ajudado a endossar a confiabilidade de uma nova picape da Fiat. Por isso, marcas como a Volkswagen ainda estudam cuidadosamente a entrada no segmento. Embora o conceito da picape Tarok tenha feito sucesso no Salão de São Paulo de 2018, a produção do modelo ainda está em fase de aprovação. A afirmativa é do próprio presidente da Volkswagen brasileira, Pablo Di Si. Se confirmado, será concorrente direto da própria Fiat Toro.

Atlas cancelada

A Tarok ainda pode chegar às ruas, ao contrário da picape média que a Volkswagen chegou a cogitar para o mercado americano. O modelo seria baseado no SUV Atlas, e também teve um conceito sucesso de público, o Atlas Tanoak. A VW americana concluiu que não seria viável fazer uma picape com carroceria monobloco para os Estados Unidos, onde as consagradas líderes de venda usam chassi sobre carroceria.

Por aqui, a VW vende a Amarok com relativo sucesso. Em 2019 foram 18.911 unidades, que deixam a picape da Volkswagen pelo meio do segmento.

A Renault, por exemplo, nunca conseguiu fazer a Duster Oroch decolar, embora o projeto da picape tenha ótimas qualidades. A Oroch é mais barata que a Toro e pra lá de valente, mas a falta de histórico da Renault no segmento empacou os negócios. Tanto que, a própria Renault reluta em trazer a picape Alaskan para o País. O modelo é derivado da Nissan Frontier e iria colocar a marca francesa no segmento de picapes médias.



O problema para a Renault é que nem mesmo a Frontier, produzida por uma marca com tradição no segmento, vende muito por aqui. Em 2019, foram apenas 8.089 unidades vendidas, uma fração das 40 mil Hilux emplacadas no mesmo período. Isso desencorajou ainda mais a Renault a tentar vender a Alaskan por aqui.

Classe X

O projeto da Frontier, aliás, “dá pano para manga”. A Mercedes-Benz também usou o modelo da Nissan para basear sua primeira picape média. A expectativa era alta, com planos de produção na Argentina e vendas globais. A Classe X entrou em produção na Espanha, junto com Frontier e Alaskan destinadas ao mercado europeu, mas a linha argentina ficou cara demais para a Mercedes-Benz. A alemã demandou melhorias no produto final produzido na fábrica da Nissan no país vizinho, o que encareceu o valor de cada unidade da Classe X. Sem chegar num acordo, a Mercedes saiu do projeto e acabou cancelando por completo o projeto da picape. O modelo sairá de linha também na Europa.

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