seguro
Werther Santana/Estadão

Seguro Auto cobre catástrofes como no RS? Entenda

Primeiro passo é entender se apólice da cobertura do seguro automotivo abrange enchentes, alagamentos e desastres naturais

Por Vagner Aquino 08 de mai, 2024 · 8m de leitura.

As fortes chuvas no Rio Grande do Sul deixaram um rastro de destruição. Desde o fim de abril, mais de 1,4 milhão de pessoas foram afetadas, e essa catástrofe sem precedentes no Estado não tem previsão de acabar. De acordo com dados divulgados pela Defesa Civil, já são 95 óbitos e mais de 130 desaparecidos. Além disso, muita gente teve prejuízos materiais. As enchentes, inclusive, deixaram milhares de carros submersos. E, nestes casos, muita gente se pergunta: “O que fazer?”, “O seguro cobre?”, “Como proceder?”.

Para responder essas e outras dúvidas, o Jornal do Carro conversou com algumas seguradoras. O principal ponto é entender que, para que o seguro cubra o dano, o segurado não deve enfrentar a área alagada. Afinal, se ficar comprovado que o acidente foi causado propositadamente, a empresa vai negar o pagamento da indenização.

seguro
Se provocar risco, perde o direito a indenização (JESSICA AQUINO/ESTADAO)

Depende do tipo de cobertura

De acordo com Bruno Saraiva, head de seguros da iHUB Investimentos, nem todos os seguros automotivos cobrem danos causados por chuvas e enchentes, apenas o chamado Seguro Compreensivo oferece esse tipo de cobertura. “A primeira coisa que deve ser feita é analisar o contrato do seguro para entender as coberturas existentes contratadas”.

Para quem não sabe, há quatro tipos de seguros automotivos disponíveis no mercado. São eles:

  • 1 – Seguro de Acidentes Pessoais e Passageiros: protege condutores e passageiros em casos de acidentes, oferecendo cobertura para despesas médicas, invalidez ou morte;
  • 2 – Seguro Auto: garante proteção ao veículo em situações como roubo, colisão, danos por amassados, arranhões e incêndios;
  • 3 – Seguro contra Terceiros: indeniza prejuízos causados a outras pessoas e veículos pelo condutor segurado em caso de acidente;
  • 4 – Seguro Compreensivo: abrange ampla gama de situações, incluindo proteções contra desastres naturais, como enchentes, alagamentos e quedas de árvores, além dos benefícios oferecidos pelos outros tipos de seguro auto.

“Importante mencionar também que a cobertura precisa ser acionada em até um ano após a ocorrência do incidente”, alerta Saraiva. Desse modo, ao receber notificação de sinistro, a seguradora realizará perícia para avaliar as circunstâncias do sinistro.


Já tem empresa com plano especial para o RS

Luiz Padial, diretor de Seguro Auto e Massificados da Mapfre, afirma que a empresa implementou um plano de ação para garantir atendimento prioritário aos segurados afetados pelos fortes temporais no Rio Grande do Sul. “A companhia organizou uma estratégia integrada para lidar com o aumento no volume de aberturas de sinistros e acionamento de assistências”.

Antes, porém, a prioridade da Mapfre, neste momento, é auxiliar as autoridades no resgate e no abrigo das pessoas atingidas, para posteriormente dar início ao processo de indenização das apólices contratadas. A empresa enfatiza que, entre as medidas adotadas, estão o atendimento prioritário aos clientes atingidos, com a agilidade no processo de regulação de sinistro por meio de fotos e imagens, reforço da equipe de prestadores na região e canais de comunicação dedicados para suporte aos segurados.

A Mapfre prorrogou, gratuitamente, por dez dias todos os contratos de seguros com vencimentos entre os dias 1º e 10 de maio. A ação abrange todos os clientes do Rio Grande do Sul e se aplica tanto à vigência das apólices quanto ao vencimento dos boletos e pagamentos. “Também flexibilizamos algumas regras de reembolso com pagamento integral de acordo com a nota fiscal emitida, proporcionando uma solução rápida para as necessidades dos nossos segurados”, alerta Padial.


Ademais, a empresa garante que o cliente terá direito a uma indenização em virtude dos prejuízos causados em veículos submersos (parcial ou total) em casos de enchentes ou inundações em água doce, inclusive aqueles guardados em subsolos.

En
Filtros, carpetes, painel, console e várias partes do carro devem ser higienizadas/trocadas após alagamento (CLAUDIO TEIXEIRA/AE)

Só até o meio da roda

Ao se deparar com um alagamento, a recomendação é escapar para uma área segura. Caso não seja possível, o ideal é tentar atravessar apenas se a água não ultrapassar a metade da roda. Neste caso, a dica é manter a primeira marcha e seguir em velocidade baixa (e constante) para não formar ondas. Não mude de marcha e não dê a partida novamente se o carro morrer. Desse modo, o motor aspira água e, além da integridade dos ocupantes, o prejuízo financeiro pode ser alto.


Caso o câmbio do carro em questão seja automático, mantenha a alavanca na posição “1” ou “L”. Para modelos que têm apenas a posição “D”, deve-se alterná-la manualmente com a “N”, de modo a manter a rotação do motor acima das 2.000 rpm.

Às vezes, a higienização resolve

Se a água invadir apenas a parte do assoalho do carro, dá para optar pelo serviço de higienização – serviço incluso em algumas coberturas básicas, dependendo da companhia. Mesmo assim, será preciso desmontar o interior do automóvel, retirando partes como console e carpetes para secagem individual. Serviço disponível em oficinas especializadas. Entretanto, nos casos em que a água alcança o painel, todo o cuidado é necessário para secar os módulos eletrônicos. Quanto mais sofisticado for o modelo, mais caro será o serviço.

Siga o Jornal do Carro no Instagram!


O Jornal do Carro está no Youtube

Inscreva-se
Newsletter Jornal do Carro

Complete seu cadastro para receber as últimas notícias do Jornal do Carro diretamente no seu e-mail.

Campo obrigatório
Tudo certo!

Seu cadastro foi enviado. Em breve você receberá as últimas notícias do Jornal do Carro diretamente no seu e-mail.