Parece que essa nova onda de carros chineses elétricos no Brasil assustou não só a concorrência de modelos a combustão. Mesmo a luxuosa Volvo (e que só vende veículos eletrificados) também resolveu dar seus pulos para não perder terreno. No início do mês, a tradicional marca sueca apresentou uma nova versão de entrada para o C40.
Antes disponível apenas na configuração de topo com dois motores de 408 cv e tração integral, o SUV-cupê tem agora uma opção mais em conta para aumentar sua participação no mercado nacional. O modelo é oferecido com apenas um motor elétrico no eixo traseiro que entrega 238 cv e 42,8 mkgf. Por sua vez, o XC40 já tinha uma versão de propulsor único, mas este ficava na dianteira e entregava 231 cv e 33,5 mkgf. Dessa forma, o SUV também recebe o mesmo arranjo.

O conjunto elétrico traz uma bateria de 69 kWh que, segundo a Volvo, entrega autonomia de 475 km no ciclo global WLTP. Já nas medições mais rígidas feitas no padrão do Inmetro, o utilitário roda até 385 km com a carga completa.

Equipamentos e medidas do C40
Não é só o belo design que o C40 tem a oferecer. O carro é recheado de equipamentos e tecnologia. Aliás, em relação à versão de topo, há pouquíssimas diferenças em relação ao conteúdo. O som premium da Harman Kardon, a câmera 360 graus, os faróis com tecnologia de pixels e as rodas de 20″ são restritos à configuração mais cara. No restante, os pacotes são iguais.
Entre os destaques estão central multimídia com tela de 9 polegadas e funções nativas do Google, painel de instrumentos digital de 12,3″, carregador por indução, teto panorâmico e ar-condicionado de duas zonas. Há ainda sistemas de condução semiautônoma, como controle de cruzeiro adaptativo (ACC) com assistente de tráfego e alertas de ponto cego e de mudança de faixa com correção no volante, por exemplo.

O C40 tem um bom tamanho, o que lhe garante espaço é generoso para quatro ocupantes viajarem com conforto, e ainda há saídas de ar e entradas USB para quem viaja atrás. O carro tem 4,44 metros de comprimento, 2,70 m de entre-eixos, 1,59 m de altura e 1,87 m de largura. Já o porta-malas carrega razoáveis 413 litros.
Versão agrada, mas há ressalvas
Uma das coisas mais curiosas do C40 (que estreou no XC40, vale ressaltar) é a falta de um botão de partida para ligar o carro. Com o sistema keyless, basta estar com a chave dentro do veículo, colocar em “Drive” e sair dirigindo. Causa um certo estranhamento no início, mas é de uma praticidade única.
Mesmo sendo significativamente menos potente que a versão de topo, a novidade não decepciona ao volante. Muito pela entrega de torque instantâneo comum a todos os elétricos, que deixam as arrancadas sempre vigorosas. Mesmo com pouco mais de duas toneladas, o SUV-cupê mostra vitalidade de sobra em ultrapassagens. Mas ao mesmo tempo tem uma condução suave em um trânsito pesado no dia a dia.

O sistema one pedal, que permite dirigir usando apenas o pedal do acelerador, requer certa adaptação. Isso porque as paradas são abruptas quando o motorista para de acelerar. Mal existe um rolamento das rodas, ao qual estamos acostumados quando desengatamos a marcha de um carro a combustão, por exemplo. Mas se você não se você não se acostumar com esse recurso, que ajuda na regeneração de energia, é só deixá-lo desativado.
Problema crônico
O C40 reúne uma série de qualidades que o classificam como um carro quase sem defeitos. Quase. De acordo com a Volvo, o motor na traseira serve para melhorar a dirigibilidade. Afinal, o carro realmente é bom de dirigir e estável em curvas.
O grande problema é que a falta de peso na dianteira deixou a suspensão desequilibrada e barulhenta. Dependendo do piso pelo qual o motorista trafega, a “bateção” é grande e passa uma sensação de fragilidade, como se algo fosse desmontar. E ao que tudo indica, por conta de informações internas, não é apenas um problema do veículo avaliado.

Vale a compra?
Quem procura um SUV elétrico de uma das marcas mais tradicionais do mundo tem no C40 Recharge Plus uma ótima alternativa. Contudo, quando as reservas começaram, o SUV-cupê de entrada custava R$ 314.950, tornando o custo-benefício quase imbatível. Entretanto, o valor para quem procura pelo modelo hoje já subiu R$ 40 mil e, atualmente, ele sai por R$ 354.950.
Ainda são R$ 60 mil a menos que a versão com dois motores que, apesar de pouca diferença no conteúdo, entrega 408 cv. Sua lista de qualidades é bem grande e, portanto, você não vai se arrepender da compra. Mas talvez seja interessante deixar o preconceito de lado e também dar uma olhada nos chineses…
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