Dizer que peruas e minivans foram as vítimas da invasão dos SUVs já é notícia velha. Isso de fato ocorreu, mas ainda na época em que o mercado só tinha EcoSport e Duster. Porém, os novos SUVs afetaram, e em alguns casos até derrubaram, carros de segmentos bem mais importantes.
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Por causa dos novos SUVs, que chegaram a partir de 2015, o segmento de hatches médios praticamente deixou de existir. Além disso, os sedãs médios também não estão em seus melhores dias.
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Não seria surpresa se, em alguns anos, até os hatches compactos, que ainda integram o principal segmento do País, começassem a perder espaço. Afinal, já tem montadora criando SUV para concorrer com eles. A Renault preparou seu Kwid, afinal, para ser classificado como SUV.
O carro da Renault tem características que o permitem ser chamado de SUV compacto, de acordo com a classificação do Inmetro. E as demais montadoras também investem cada vez mais em versões “SUV” de seus hatches – o próximo a receber uma configuração assim será o Ford Ka.
VEJA TAMBÉM: OS CARROS MAIS VENDIDOS NO 1º TRIMESTRE DE 2018
20º VOLKSWAGEN FOX
9.032 unidades
19º TOYOTA ETIOS HB
9.275 unidades
18º RENAULT SANDERO
9.435 unidades
17º HYUNDAI CRETA
9.615 unidades
16º VOLKSWAGEN SAVEIRO
9.783 unidades
15º FIAT TORO
10.438 unidades
14º NISSAN KICKS
12.320 unidades
13º FIAT MOBI
12.335 unidades
12º HONDA HR-V
12.832 unidades
11º FIAT ARGO
12.867 unidades
10º JEEP COMPASS
12.978 unidades
9º RENAULT KWID
13.687 unidades
8º TOYOTA COROLLA
13.749 unidades
7º FIAT STRADA
15.104 unidades
6º VOLKSWAGEN GOL
16.257 unidades
5º CHEVROLET PRISMA
16.382 unidades
4º VOLKSWAGEN POLO
17.721 unidades
3º HYUNDAI HB20
24.015 unidades
2º FORD KA
24.028 unidades
1º CHEVROLET ONIX
41.773 unidades
Mas o poder de destruição dos SUVs a longo prazo vai ficar para depois. Afinal, meu colega Diego Ortiz, do blog Onboard, já “profetizou”: o mundo que deixaremos para Keith Richards só terá SUVs. E o Corolla.
Aqui, vamos falar dos carros que já foram derrotados pelo novos SUVs ou, ao menos, amplamente afetados.
HATCHES MÉDIOS X NOVOS SUVS
Essa guerra os hatches médios já perderam. Modelos como i30 deixaram o mercado. E os carros que restaram têm volumes muito baixos.
O Brasil tem basicamente aquatro hatches médios: Cruze Sport6, Focus, Golf e 308. Os demais são de marcas de luxo. Desse grupo, o único ainda que tem vendas razoáveis é o Chevrolet. Razoáveis para a pouca representatividade da categoria hoje, é claro.
Em outras palavras, o Cruze vende o dobro dos dois concorrentes. Às vezes, o triplo.
Porém, não dá para se gabar tanto. Afinal, as vendas de Focus e Golf são hoje pouco significativas.
No primeiro trimestre, foram vendidas 815 unidades do Focus e 654 do Golf. O Cruze registrou 1.654 emplacamentos. Os demais (308, V40, A3, Classe A e Série 1) não chegaram aos 150 exemplares comercializados no período.
Para comparação, o décimo colocado no ranking de SUVs compactos, Peugeot 2008, teve mais de 2 mil emplacamentos no primeiro trimestre. O líder geral do segmento de utilitários, o médio Jeep Compass, somou quase 13 mil.
Antes da chegada dos novos SUVs (Compass, HR-V, Creta, Renegade, Kicks e Captur, entre outros), a vida dos hatches era bem mais confortável. Em 2014, o líder era o Focus, que registrou médias mensais de 1.800 unidades por mês. Cruze e Golf tinham em torno de 1.500 emplacamentos.
Até o 308 tinha bom desempenho, comparado ao atual. Enquanto no mês passado ele somou 35 emplacamentos, em 2014 fazia médias mensais de 500. E isso num contexto de crise forte, a qual a indústria automobilística está agora superando.
FUTURO INCERTO
Os hatches foram, assim, as maiores vítimas da invasão dos novos SUVs. Em meu ponto de vista, talvez o Golf tenha sido o mais prejudicado. Trata-se de um dos melhores carros produzidos no Brasil, com motores modernos e econômicos, além de muita tecnologia.
No entanto, é só o terceiro mais vendido de seu segmento. Antigo sonho de consumo do brasileiro, o Golf, assim como os demais hatches médios, tornou-se um carro de nicho, para entusiastas.
Hoje, quem compra Golf, Focus e Cruze é aquele cliente que ama dirigir e gosta de carros baixos. Porém, não dá para investir na nacionalização de carros de nicho, convenhamos. Os volumes são baixos demais e não pagam o investimento.
A Ford não deverá produzir por aqui a recém-apresentada geração do Focus. Fica difícil sonhar também com um novo Golf nacional. Na Europa, ele continua sendo um dos carros mais vendidos.
SEDÃS MÉDIOS X NOVOS SUVS
O Corolla é um “mundo à parte”. O fato de a Toyota não ter SUV compacto ajuda muito o sedã médio mais vendido do Brasil (confira detalhes aqui). Porém, com exceção dele, os demais estão passando por um momento difícil.
Civic e Cruze ainda conseguem fazer um volume considerável. Porém, o Honda perdeu muito espaço após a chegada dos novos SUVs. Em 2014, ele registrava médias mensais de 4.300 emplacamentos por mês. No primeiro trimestre de 2018, não chegou a 1.900.
O sedã da Honda foi muito prejudicado pelo HR-V. Afinal, desde que foi lançado, o companheiro de concessionárias do Civic é o SUV compacto mais vendido do Brasil.
O Cruze perdeu menos: foi de cerca de 2 mil exemplares mensais em 2014 para 1.700 agora. Além de o SUV compacto da Chevrolet (Tracker) não vender tanto quanto o HR-V, o Cruze nunca foi tão bem sucedido quanto o Civic em seu auge.
Os demais sedãs médios foram vão muito mal. O Jetta, neste ano, tem médias mensais de 450 unidades. O Sentra, que em 2014 registrava cerca de 1.200 exemplares vendidos por mês, caiu agora para pouco mais de 300.
As perspectivas para o segmento são apenas um pouco melhores que as dos hatches médios. Não dá para imaginar o Brasil sem a nova geração do Corolla, que ainda nem foi mostrada no exterior, mas em breve será.
O Jetta terá nova geração no Brasil ainda este ano. Porém, não mais produzida localmente, e sim trazida do México. A Citroën acaba de atualizar o C4 Lounge. Já a Renault parece ter desistido dos sedãs médios no País. O Fluence saiu de linha, e não tem substituto.
Enquanto isso, a Volkswagen anunciou que vai lançar cinco SUVs. A Chevrolet também terá novos modelos no segmento e até a Toyota pretende entrar nessa jogada.
A Fiat, que tinha deixado o departamento de SUVs por conta da Jeep (a outra marca do Grupo FCA), também considera ter um utilitário para chamar de seu.
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