Eu fui uma das que não deram muita credibilidade ao novo Argo antes de ele chegar às concessionárias. Sabia, por meio de fontes, que ele viria sem grandes inovações, e quem chega depois tem que trazer algo novo.
Porém, logo no primeiro contato com o carro, mudei de ideia. Logo percebi que ele tinha grandes chances de ser o maior acerto da Fiat nos últimos anos. Maior que a Toro.
Os primeiros meses do novo Argo no mercado foram ruins. Ele demorou a entrar no “top 10” de vendas. Para um carro que vinha para ser o Fiat mais vendido, parecia uma decepção.
Neste mês, o Argo passou a fazer parte da lista dos dez mais emplacados. E, agora, a nova informação: ele passou a ser o Fiat mais vendido para quem realmente importa, o cliente final.
Embora ainda esteja atrás de Strada e Mobi no ranking geral, o Argo é o Fiat mais vendido no varejo. Esse é o tipo de venda feito na concessionária, para o consumidor final.
Nas vendas de varejo, não há vantagens, nem contratos que valem mais que a qualidade do produto, como nas no atacado (ou diretas). Por isso, elas traduzem o que o consumidor brasileiro realmente quer.
E o consumidor brasileiro, finalmente, quer o novo Argo. Seis meses após seu lançamento, ele caiu no gosto do povo.
No varejo, o Argo já é o quarto carro mais vendido do País, com 4.197 emplacamentos em novembro. Isso tem um grande significado: ele deixa para trás potências mercadológicas como Gol e Prisma.
Na verdade, pode-se dizer que o novo Argo é o primeiro do resto. À frente dele estão apenas os três imbatíveis: Onix, HB20 e Ka.
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Para comprar: estilo
O Argo agrada pelo visual, e não importa o ângulo em que ele esteja sendo observado. Às vezes lembra o Tipo (principalmente quando visto de frente); às vezes se assemelha ao Gol (por causa da coluna traseira). Mas o fato é que o hatch, cujo estilo foi desenvolvido no Brasil, é bem atraente.
Para comprar: equipamentos
O sistema start&stop é item de série até na versão Drive 1.0 (a foto é da versão HGT). Além disso, o modelo básico vem com Isofix (para fixação de cadeira infantil), direção elétrica, ar-condicionado, banco do motorista com ajuste de altura, cintos de segurança retráteis de três pontos para todos os ocupantes, travas e vidros dianteiros elétricos.
Para comprar: acabamento
O revestimento de painel e laterais é feito de material rígido, mas a textura é agradável ao toque e aos olhos. Dependendo da versão, a faixa que atravessa o painel é acetinada no tom vermelho (HGT) ou cinza (Drive e Precision).
Para comprar: dirigibilidade
Graças ao bom acerto de suspensão, o Argo apresenta pouca inclinação da carroceria em curvas. A direção elétrica também mostrou precisão, e o motor 1.8 responde muito bem.
Para comprar: desempenho
A Fiat ainda não lançou o Argo 1.0, mas os carros que dirigimos (1.8 e 1.3) não desapontam. O 1.8 de 139 cv é o mesmo da picape Toro e do Jeep Renegade. Num hatch de 4 metros e relativamente leve, ele dá conta do recado com facilidade. O 1.3 (109 cv) também dá boa agilidade ao carro, principalmente no uso urbano.
Para não comprar: preço do 1.0
O Argo mais barato, versão Drive 1.0 com câmbio manual, sai por R$ 46.800. Completo, salta para R$ 51.190. Nesse caso, ele vem com central multimídia de 7" sensível ao toque, volante com comandos de som e telefone, câmera de ré com sensores de obstáculos e vidros elétricos também atrás, entre outros itens.
Para não comprar: falta de cuidado nos detalhes
Ao se abrir o porta-luvas, a tampa despenca de uma vez, sem aquele efeito de "câmera lenta" tão comum hoje em dia.
Para não comprar: muitos 'botões sem função'
No canto esquerdo do painel, em volta do botão dos faróis auxiliares, parece que há diversas teclas sem função. Mas é apenas um recurso de estilo que não teve muito bom resultado, já que nada ali é de apertar. Fica a impressão de que são chaves de "reserva" para equipamentos que o Argo não tem.
Para não comprar: ajuste da coluna de direção
A coluna de direção é regulável somente em altura, e não em profundidade. Além disso, o ajuste de altura do banco do motorista é feito por uma alavanca muito fina. E há uma curiosidade: no modelo com air bag lateral, a alavanca fica do lado direito. Sem a bolsa, o comando está do lado esquerdo.
Para não comprar: apoio de mão sem mola
Os apoios de mão não têm mola para amortecer o retorno, o que suavizaria o movimento quando se solta a alça. Sem elas, a peça volta de uma vez, dando um baque seco no teto.
Terceiro colocado no varejo, o Ka já é ameaçado pelo hatch da Fiat. Em novembro, registrou 4.608 emplacamentos. Onix e HB20 estão com mais vantagem (nas casas dos 11 mil e 7 mil exemplares vendidos, respectivamente).
Hoje, a Fiat, que vem perdendo espaço nas vendas no varejo, é em contrapartida a que mais vende no atacado. As vendas diretas são o que ainda sustentam a montadora na vice-liderança do mercado.
Imagine, então, o que vai acontecer quando a Fiat começar a trabalhar forte com o Argo no atacado! Briga pela liderança de vendas? Não dá para descartar.
Isso porque, hoje, o Argo não tem representatividade no atacado. Nesse ranking, foi apenas 33º em novembro, com 818 unidades vendidas. Porém, ele pode vir a ter. Basta a Fiat querer. Onix, HB20 e Ka que se cuidem.
RAZÕES DO SUCESSO
O Polo, que chegou recentemente, é um modelo melhor que o Argo. Mas só na versão de topo.
No recente comparativo entre o Fiat e o Polo, e também contra Onix e HB20, todos em versões intermediárias, o novo Argo se mostrou uma opção melhor.
Ele custa menos que o Polo intermediário, e é mais bem equipado. Conseguiu se destacar também ante HB20 e Onix.
São as versões intermediária e de entrada que realmente vendem. Então, podem se preparar: o novo Argo ainda vai crescer muito. A Fiat, finalmente, acertou.
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