Primeira Classe Rafaela Borges

Rota 66: desbravando a estrada mais famosa do mundo

Cidades fantasmas e muita história fazem parte do roteiro de Las Vegas a Los Angeles

Oro Grande Rota 66
Roteiro Oro Grande, um dos pontos da viagem pela Rota 66 (Foto: Rafaela Borges)

Ela é tema de música. Inspirou o filme “Carros”, o primeiro, e também outros clássicos do cinema. Corta os Estados Unidos de leste a oeste. Povoa os sonhos de quem ama automóveis, aventuras, história. Estamos falando da lendária Rota 66, a estrada mais famosa do mundo.

SAIBA MAIS

Fã de carteirinha de viagens de carro, já percorri quilômetros e quilômetros na Europa. Já fiz, ao volante, todo o sul da França, percorri mais 2 mil quilômetros de Munique a Mônaco, desbravei o sul de Portugal.

Guiei por montanhas na Áustria, na Suíça e no norte da Espanha, no País Basco. E pela Highway 1, a famosa estrada na costa da Califórnia. Vi nesses trajetos paisagens belíssimas, rodovias muito bem conservadas e rotas secundárias incríveis.

O maior sonho, no entanto, sempre foi percorrer a Rota 66. Sonho que realizei no mês de agosto.

A Rota 66 tem seu ponto inicial em Chicago e termina em Santa Mônica, na Califórnia. São quase 4 mil km de extensão. Passa pelos Estados de Illinois, Missouri, Kansas, Oklahoma, Texas, Novo México, Arizona e Califórnia.

A estrada ficou famosa nos anos 50 e 60, quando jovens deixavam, de carro e principalmente de moto, a costa leste dos EUA, rumo à liberdade da Califórnia.

Por lá, surgiu o primeiro McDonald’s e o primeiro motel (os hotéis de rodovias dos EUA) da história.

 

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Após a construção de novas estradas, rápidas, de pista dupla, a velha Rota 66 foi deixada de lado. Começaram a surgir, então, as cidades fantasmas, abandonadas pela população, já que a economia desses locais dependia da rota.

Essa história, inclusive, é contada no início do filme “Carros”.

Porém, hoje, a Rota 66 é um ponto turístico cultuado por adoradores de “road trips” de todo o mundo. E um dos roteiros mais famosos é o que fiz, de Las Vegas à Califórnia, ou vice-versa.

 

Encontrando a Rota 66

O mais comum é ir de Los Angeles a Las Vegas. Eu fiz o roteiro contrário por logística. Precisaria estar na Califórnia após a viagem de carro, para outro compromisso (o lançamento do novo Jeep Wrangler). Então, ficou mais fácil sair da “Cidade do Pecado” e chegar à “Cidade dos Anjos”.

São cerca de 450 km. Como a Rota 66 não passa por Nevada, Estado em que está a cidade de Las Vegas, é preciso percorrer cerca de 50 km até a divisa com a Califórnia.

Saí de Las Vegas pela I15, via principal, seguindo indicação do GPS. É uma rodovia rápida, com velocidade máxima de 75 milhas por hora – 120 km/h.

Após entrar na Califórnia, segui a indicação para o Mohave National Preserve, parque que passa pelo meio do deserto do Mohave. Essa é a maneira mais fácil de chegar à Rota 66 a partir de Las Vegas. Além disso, a paisagem é sensacional.

No entanto, o trecho é bastante deserto. É raríssimo ver algum outro carro durante a maior parte do trajeto. E algumas partes da estrada são mal conservadas. Exigem um cuidado para não ter um pneu furado, por exemplo.

Verifique se o carro está em boas condições antes de se aventurar no parque. Celular por lá não funciona.

Por isso, uma dica é, antes de entrar no parque, programar o GPS para a cidade de Amboy. A Rota 66 passa por ela. Porém, eu saí antes, na I40. A famosa estrada é paralela a essa rodovia de pista dupla.

Poucos quilômetros depois, surgiu a placa para a “Histórica Rota 66”. E, dali em diante, segui viagem pela estrada de pista simples.

Trajeto e cidades

A Rota 66, nesse trecho, é muito bem preservada. A pista é bastante ondulada. Carros muito baixos, portanto, podem não se dar tão bem nela.

Eu aluguei um Volkswagen Beetle, e ele se saiu muito bem em todo o trajeto.

Para quem espera uma rota cheia de curvas, esqueça. A estrada é praticamente inteira reta, e a maior parte da pista é bastante larga.

A cada milha, um arrepio de emoção: você pode ver, no chão, a lendária inscrição “Rota 66”. A via também é identificada por placas azuis durante todo o trajeto, que continua tendo o deserto do Mohave como paisagem marginal (mas já não mais no parque de preservação).

As principais atrações nesse trecho são postos abandonados, com carros antigos, e as cidades fantasmas. Delas, a mais famosa é Calico Ghost Town, uma verdadeira viagem ao velho Oeste.

Mais à frente, está Barstow. A rota passa bem no meio da cidade que, diz a lenda, serviu de inspiração para Radiator Springs (cenário de “Carros”).

Em Barstow, que se parece mesmo com Radiator, está o museu da Rota 66. Logo à frente, Oro Grande também encanta. Por lá, vi uma Kombi que parecia a versão real de Fillmore, personagem de “Carros”.

Experiência

Percorri mais alguns quilômetros após Oro Grande, com a I40 sempre bem próxima. Depois, decidi voltar à via principal para chegar a Los Angeles. Percorri toda a região de San Bernardino, com montanhas que deixam a paisagem espetacular.

Dava para ficar mais na Rota 66, e seguir por ela até Santa Mônica, seu final. Inclusive, pretendo fazer isso em outra ocasião.

Naquele dia, a viagem já havia sido muito longa, com as paradas e o rota pelo parque do Mohave. No trecho do deserto, uma chuva forte causou alagamento em uma parte baixa da via e, junto com algumas outras pessoas que estavam na região, tive de esperar cerca de uma hora até o nível da água baixar a ponto de o carro conseguir passar.

Além disso, as principais atrações já haviam ficado para trás. Ao todo, levei cerca de nove horas nessa viagem, que foi lenta, sem pressa, parando sempre que dava vontade. Um dia longo, mas incrível e inesquecível, por ser a realização de um sonho.

Quem quiser ir direto de Las Vegas a Los Angeles, pela I15 e a I10, vai levar cerca de quatro horas e meia. Mas perderá a oportunidade de conhecer uma parte importante da história dos Estados Unidos e ser levado a um mundo que parece de cinema.

 


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