O preço inicial do Volkswagen Up! agora é o mais alto entre os hatches compactos da linha Volkswagen. Anteriormente tabelado a partir de R$ 39 mil, aproximadamente, o carro agora começa em R$ 50.270.
Esse valor é mais alto que o do hatch compacto topo de linha da Volkswagen, o Polo. Ele parte de R$ 49.990. E nem dá para dizer que o motor é mais potente. Em suas versões de entrada, ambos usam o mesmo 1.0.
O posicionamento dos hatches da Volkswagen, aliás, está um tanto estranho. O Fox, sem o apelo de novidade do Polo, parte dos mesmos R$ 49.990.
Já o Gol, o carro de entrada da Volks, que passou recentemente por mudanças, começa em R$ 43.840.
A Volkswagen está promovendo uma simplificação em sua linha. O Gol, agora, só tem duas versões. O mesmo ocorre com o Fox (o que pode justificar o valor de entrada igual o do Polo).
No caso do Up!, o posicionamento pode parecer ainda mais confuso. É fato que, desde seu lançamento, o carro nunca teve uma aceitação muita alta no Brasil.
No segmento de entrada, o brasileiro é racional. O Up!, assim como o Mobi, é apertado, e praticamente não tem porta-malas.
Por muitos anos, o brasileiro comprou o Uno, com características semelhantes. Porém, ele tinha preço muito competitivo (era o carro mais barato do Brasil). Com a chegada do Mobi, a Fiat reposicionou o veterano, e não deu certo. Ele despencou no ranking de vendas (confira detalhes aqui).
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20º Toyota Etios
3.361 unidades vendidas
19º Honda HR-V
3.656 unidades vendidas
18º Renault Sandero
3.706 unidades vendidas
17º Hyundai Creta
3.841 unidades vendidas
16º Fiat Mobi
4.023 unidades vendidas
15º Volkswagen Saveiro
4.179 unidades vendidas
14º Volkswagen Virtus
4.271 unidades vendidas
13º Renault Kwid
4.371 unidades vendidas
12º Jeep Renegade
4.378 unidades vendidas
11º Fiat Argo
4.682 unidades vendidas
10º Toyota Corolla
4.854 unidades vendidas
9º Fiat Toro
4.983 unidades vendidas
8º Chevrolet Prisma
5.022 unidades vendidas
7º Jeep Compass
5.559 unidades vendidas
6º Fiat Strada
5.581 unidades vendidas
5º Volkswagen Polo
5.628 unidades vendidas
4º Volkswagen Gol
5.780 unidades vendidas
3º Ford Ka
7.639 unidades vendidas
2º Hyundai HB20
8.513 unidades vendidas
1º Chevrolet Onix
15.015 unidades vendidas
Nova linha Up!
O Up!, agora, fica ainda mais caro que o Uno. Na verdade, a tabela está cerca de R$ 8 mil mais alta. Isso porque saiu de linha aquela que era a versão de entrada, Take Up!
Agora, a opção mais em conta é a Move Up!, e já com um bom pacote de equipamentos. O modelo sai de fábrica com ar-condicionado, retrovisores, vidros e direção elétrica e sensor de estacionamento traseiro.
Com o motor 1.0 turbo, a tabela vai a R$ 55.700. Há ainda as opções Cross (a partir de R$ 58.730) e Pepper (R$ 59.240 iniciais).
As versões Cross e Pepper têm apenas o motor 1.0 turbo.
Reposicionamento do Up!
Não dá mais para considerar o Up! um rival de Mobi e do Kwid. Para comparação, o preço do VW é superior ao Renault topo de linha (que sai por pouco menos de R$ 42 mil).
Em minha análise, a Volkswagen quer transformar o Up! em algo parecido com o Fiat 500. Um carro compacto, urbano e bem equipado. E de nicho (ou seja: com vendas baixas).
A Fiat tentou fazer isso com o Mobi, e não deu certo. Nos primórdios do carrinho, a ideia vendida na concessionárias da marca era de que o modelo tinha apelo de design, era para pessoas descoladas, guiadas pelo fator emocional na compra.
A montadora teve de recuar, no entanto. Primeiramente, essa ideia não convenceu o consumidor. Além disso, a Fiat tinha pretensões de altos volumes, não de fazer do Mobi um carro de nicho.
Hoje, ele foi reposicionado como o carro que realmente é: popular de entrada. Seu preço inicial é bem semelhante ao do Kwid, aliás. O Fiat parte de R$ 32.590 e o Renault, de R$ 32.590.
Com o Up! pode dar certo? Pode sim. O carro é mais moderno, tecnológico e, principalmente na versão turbo, agrada muito os entusiastas.
A estratégia é boa, mas desde que a VW esteja mesmo pretendendo transformar o Up! em carro de nicho. Atualmente, seus volumes já não impressionam. Em maio, somou 1.447 emplacamentos e foi apenas o 43º veículo mais vendido do Brasil.
Mas fica a dúvida: será que é justificada a produção local de um compacto de nicho? A conta fecha? Vamos aguardar os próximos passos da Volkswagen.
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