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Startups de carros elétricos podem se tornar nova bolha econômica

Artigo de revista da Universidade de Harvard alerta para a elevada especulação das startups de veículos elétricos no mercado financeiro

Diogo de Oliveira, Especial para o Estado

08 de fev, 2021 · 5 minutos de leitura.

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Considerada a Tesla das picapes, Nikola Motors foi acusada de fraude por não ter a tecnologia de célula de combustível prometida na picape Badger
Crédito:Nikola Motors/Divulgação

O mercado de ações sempre foi conhecido no mundo inteiro pelo elevado grau de especulação. É como diz um ditado antigo: ?Não coloque todos os ovos na mesma cesta?. Entretanto, esse ?jogo de perde e ganha? quebrou o mercado imobiliário nos Estados Unidos, em 2008. E uma década antes, em 1999, criou a bolha dos grandes portais da internet. Pois agora pode ser a vez dos carros elétricos.

O alerta é da Harvard International Review, revista trimestral publicada pelo Conselho de Relações Internacionais da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Um artigo da última edição faz um alerta para os negócios com veículos elétricos. A publicação cita o caso mais recente da Nikola Motors, startup acusada de fraude e que chegou a valer US$ 34 bilhões.

De acordo com o artigo, em 1999, jovens empresas de tecnologia causaram furor no mercado de ações, e chegaram a ter ganhos de 697% nos papéis logo após fazerem o IPO (sigla em inglês de “Oferta Pública Inicial”). E a situação atual com startups de carros elétricos, bem como de baterias e tecnologias relacionadas, é bem semelhante. O artigo cita como exemplo as ações da chinesa Nio, subiram 1.084% em um ano.

Cybertuck, a picape da Tesla, ainda nem saiu do papel e já influencia outras startups
Tesla/Divulgação

Explosão de subsídios

Em seu denso artigo, a Harvard International Review mostra que o sucesso meteórico das startups de veículos elétricos tem sido suportado pelos próprios governos. O texto diz que, ?com o aumento dos subsídios e do sentimento do consumidor, a popularidade dos veículos elétricos também aumentou?. Entretanto, não há lógica nas avaliações que conduzem essas empresas ao sucesso.

A Tesla é o maior exemplo nesse sentido. A marca pioneira na produção em massa de carros elétricos de luxo obteve lucro pela primeira vez na sua história em 2020. A empresa fundada em 2003 pelo bilionário Elon Musk fechou o último ano com US$ 721 milhões em ganhos, ante um prejuízo de US$ 862 milhões em 2019. Contudo, a mesma Tesla já recebeu US$ 3,1 bilhões em créditos fiscais.

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Diante desses números, a revista da Harvard concluí que ?as avaliações são inexplicáveis ??usando índices, projeções de fluxo de caixa livre ou qualquer outra forma comum de ferramenta de análise de investimento?. Em outras palavras, as avaliações das empresas ?estão completamente exageradas?, com base em promessas, como foi o caso da Nikola Motors, que teve ações compradas pela GM.

Outro caso lembrado pela publicação da universidade de Harvard é o da startup Hyllion, uma fabricante de caminhões híbridos diesel-elétricos. Mesmo sem ter uma previsão clara de lucratividade, as ações da empresa cresceram mais de 400% nos pregões de Wall Street. Depois, a Hyllion despencou rapidamente e perdeu mais de 66% de seu valor de mercado nos últimos 7 meses.