Avaliação

Teste: Corolla Cross mais barato é modesto e bem resolvido ao volante

Versão XR dispensa luxos esperados em um SUV médio de quase R$ 150 mil, porém, ao volante, o Corolla Cross é tão acertado quanto o sedã

Diogo de Oliveira

28 de jul, 2021 · 12 minutos de leitura.

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Toyota Corolla Cross é o único carro vendido no Brasil que vai participar da premiação Carro Mundial do Ano 2022
Crédito:Diogo de Oliveira/Estadão

Em meados de 2016, quando a Jeep lançou o Compass no Brasil, dificilmente alguém apostaria que a Toyota fosse lançar um SUV do Corolla. Além de parecer óbvio e até muito racional, naquela época, os SUVs ainda não eram vistos como ameaça real aos sedãs. Bem, passados cinco anos, o que vemos é a migração acelerada dos clientes de Corolla, Civic, Cruze e Jetta para os utilitários esportivos. Por isso, aqui está o Corolla Cross.

Lançado em março deste ano, o SUV médio derivado do sedã é um fenômeno. Em apenas quatro meses, já está entre os 10 SUVs mais vendidos do Brasil. Também já vende mais que o sedã Corolla, inclusive nas versões híbridas, que faz do novo utilitário o eletrificado mais vendido no País em 2021. E se desconsiderarmos as vendas diretas, o Corolla Cross já vende mais que o Jeep Compass.

Toyota Corolla Cross XR
Diogo de Oliveira/Estadão

Missão cumprida?

Ainda é cedo para saber se o sucesso do Corolla Cross na categoria vai perdurar. Contudo, após um início de vendas arrasador, boas impressões não faltam. Naturalmente, pela questão tecnológica, a versão híbrida flexível é o carro da vitrine. Mas, desta vez, o Jornal do Carro avaliou a versão de entrada, com tabela de R$ 146.590. Trata-se do Corolla Cross XR, equipado com motor 2.0 flexível e câmbio automático CVT.

Mecanicamente falando, temos o mesmíssimo conjunto empregado no Corolla sedã. Ou seja, o motor 2.0 Dynamic Force, que é dos mais modernos do mercado, com construção leve e tecnologias que o ajudam a ser econômico. Dentre elas, o sistema que controla a abertura e o fechamento das válvulas de admissão e de escape, além de injeção variável (direta e indireta) de combustível.

Com tais recursos, o motor 2.0 do Corolla Cross rende 177 cv de potência com etanol, além de um torque máximo de 21,4 mkgf a 4.400 rotações com ambos os combustíveis. O câmbio do tipo CVT simula 10 velocidades e tem engrenagem na primeira marcha, o que torna as respostas ao acelerador mais rápidas na hora de arrancar – e também reduz ruídos. Na prática, o SUV tem o mesmíssimo conjunto mecânico do sedã.

Toyota Corolla Cross XR
Diogo de Oliveira/Estadão

Esportividade não é o foco

Os números de desempenho do Corolla Cross até são interessantes: 9,8 segundos para acelerar de zero a 100 km/h, e velocidade máxima de 197 km/h. Entretanto, ao volante, o 2.0 naturalmente aspirado não entrega virilidade. Dessa forma, o SUV é um segundo mais lento que o arquirrival Compass na versão com o motor 1.3 turbo flexível de até 185 cv e 27,5 mkgf. O Jeep faz a mesma tomada de zero a 100 km/h em 8,8 segundos.

Da mesma forma, o Volkswagen Taos, outro rival direto do modelo da Toyota, é também mais ligeiro nas arrancadas. A marca alemã anuncia zero a 100 km/h em 9,3 segundos – é só 5 décimos mais rápido que o Corolla Cross. Contudo, tanto o Jeep quanto o VW usam câmbios automáticos tradicionais de seis marchas. Assim, entregam dinâmicas diferentes. Por outro lado, o SUV da marca japonesa bebe menos que os concorrentes.

Segundo dados do Programa de Etiquetagem do Inmetro, o Corolla Cross com o motor 2.0 aspirado e flexível faz médias urbanas de 8 km/l, com etanol, e de 11,5 km/l, com gasolina. Já na estrada, as médias são de 9 km/l e 12,8 km/l, respectivamente. Ou seja, bebe menos que o Compass, com médias de 7,4/10,5 km/l (E/G) na cidade, e de 8,7/12,1 km/l em rodovias. E menos que o Taos, com 7/10,2 km/l e 9/12,5 km/l, na mesma ordem.

Diogo de Oliveira/Estadão

Conforto é o ponto alto

Sem ser o mais potente ou o SUV com o maior torque, o Corolla Cross, na verdade, aposta todas as suas fichas no conforto a bordo. Com 2,64 metros de entre-eixos, o SUV feito em Sorocaba (SP) sobra no espaço para pernas e cabeças na frente e atrás. Essa amplitude é definitivamente o seu ponto alto, assim como o acerto da suspensão e o isolamento acústico. Em viagens, o rodar é sereno e se ouve poucos ruídos externos.

O porta-malas de 440 litros também não é o maior da categoria. Inclusive, nesse sentido, é bem menor que o do VW Taos, com 498 litros. Porém, o compartimento é generoso, tem boa altura e excelente abertura, permitindo acomodar diversos tipos de objetos. O banco traseiro, por sua vez, é retrátil e bipartido, permitindo ampliar o espaço para cargas. E para os passageiros de trás, há ainda duas tomadas USB para carregar celulares e gadgets.

Diogo de Oliveira/Estadão

Mas onde no Corolla Cross decepciona? No acabamento. Para começar, a versão XR tem bancos forrados com tecido, o que não chega a ser um problema. Entretanto, a cabine do modelo transmite simplicidade em outros pontos, como nos revestimentos de portas. O painel é basicamente feito com plásticos rígidos, e não há muitas molduras e texturas. Em resumo, a cabine parece simples demais para o preço do SUV.

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O lado racional

Como em quase todo carro da Toyota, a racionalidade tem seu peso extra. E o Corolla Cross não foge à regra. Por exemplo, a versão XR não traz chave presencial, nem partida do motor por botão. Ou seja, para ligar o carro é preciso girar a chave no contato. Reparou que o SUV médio não tem alavanca de freio de mão? É porque o freio de estacionamento é acionado por um pequeno pedal no canto esquerdo. Não há freio eletrônico.

Já o volante é o mesmo das demais versões, mas não tem comandos do lado direito. Isso ocorre porque a versão XR não oferece controle de cruzeiro. Até mesmo o quadro de instrumentos parece emprestado de um carro menor. Assim, a economia está por todos os lados, o que pode parecer antiquado para um SUV médio da sua estatura. A segurança, por exemplo, traz o essencial, com destaque para os sete airbags.

Toyota Corolla Cross XR
Diogo de Oliveira/Estadão

Há controles de estabilidade e de tração, bem como assistente de arranque em subidas e luzes diurnas de LEDs. Já os faróis e lanternas usam lâmpadas halógenas comuns. Mas, ao menos, o SUV tem faróis de neblina e rodas de liga leve de 17??. Também integram o pacote da versão XR sensores de obstáculos traseiros, ar-condicionado automático e digital, vidros e retrovisores com acionamento elétrico, além da multimídia com tela de 8??.

Por falar nela, quem é afeito a sistemas rápidos pode se decepcionar. Por vezes, a tela apresentou lentidão e travou após iniciar a interface Android Auto. A conexão via USB com o celular, que é necessária para rodar o sistema do Google, também apresentou falhas. Além disso, não foi fácil acessar, por exemplo, as playlists do Spotify, Além de lentidão nos comandos, a tela exige precisão dos dedos, o que é difícil com o carro em movimento.

Toyota Corolla Cross XR
Diogo de Oliveira/Estadão

Vale a compra?

O Corolla Cross é o SUV do momento no mercado brasileiro. Está entre os 10 veículos mais vendidos de junho e julho, e avança sobre o Jeep Compass, que, até agora, parecia imbatível. Ou seja, do ponto de vista comercial, o utilitário da Toyota é um tremendo sucesso. Contudo, é preciso pesar as expectativas. Como dito anteriormente, há uma simplicidade grande no pacote da versão de entrada XR.

Se você espera encontrar um SUV muito maior e mais avançado que modelos compactos, como Honda HR-V, Nissan Kicks ou mesmo o Hyundai Creta, esqueça. O Corolla Cross só representa a vanguarda tecnológica nas opções híbridas. Mesmo assim, tem várias virtudes, dentre elas a cabine agradável e generosa em espaço, bem como a direção precisa e agradável. Em conforto, ele supera qualquer dos modelos menores.

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Prós

  • Espaço interno amplo para cinco adultos
  • Ótimo isolamento acústico e conforto de suspensão
  • Direção é precisa e macia, com ótima ergonomia

Contras

  • Acabamento modesto para a categoria
  • Motor 2.0 aspirado é suficiente, porém comedido
  • Multimídia tem sistema lento que, às vezes, trava

Ficha Técnica

Toyota Corolla XR 2.0 flex CVT

Motor

2.0, 16V, comando variável, flexível

Potência

177 cv (E) e 169 cv (G) a 6.600 rpm

Torque

21,4 mkgf a 4.400 rpm (E/G)

Câmbio

Automático CVT com simulação de 10 marchas; tração dianteira

Comprimento

4,46 m

Entre-eixos

2,64 m

Porta-malas

440 litros

Peso (ordem de marcha)

1.420 kg

Tanque de combustível

47 litros

Rodas e pneus

215/60 R17

Aceleração 0-100 km/h

9,8 segundos

Velocidade máxima

195 km/h

Consumo urbano

8 km/l (E) e 11,5 km/l (G)

Consumo rodoviário

9 km/l (E) e 12,8 km/l (G)

Preço sugerido

R$ 146.590