História

Volkswagen Fox se despede do mercado brasileiro nos próximos dias

Perto de sair de linha, Volkswagen Fox deixa uma história de quase 20 anos que reúne inovações na marca, mutilações e até inspiração musical

Vagner Aquino, especial para o Jornal do Carro

24 de set, 2021 · 11 minutos de leitura.

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Em produção há 18 anos no Brasil, o Volkswagen Fox foi aposentado em outubro com um total estimado de quase 2 milhões de unidades feitas no País
Crédito:Volkswagen/Divulgação

Um dos carros nacionais mais importantes da Volkswagen em quase duas décadas está saindo de linha. Após ficar de lado nos últimos anos, o Fox deixará de ser feito em breve pela marca alemã. O hatch nasceu em 2003 sobre a plataforma do Polo, porém com projeto brasileiro. A pretensão inicial era que o Fox ocupasse o lugar do Gol. Entretanto, o hatch de teto alto nunca conseguiu ser barato o suficiente. Embora a Volkswagen não confirme, o próximo passo é a aposentadoria do modelo em outubro.

Custando quase R$ 70 mil e oferecido em duas versões de acabamento, o Volkswagen Fox deixou de ser atraente. Isso tanto para a marca, quanto para os consumidores. Nem câmbio automático ele tem. Para se ter ideia, em agosto, o hatch foi o 35º modelo do ranking de automóveis, com 936 unidades, de acordo com números da Fenabrave. Ou seja, muito pouco para quem, até recentemente, respondia por bom volume.

Volkswagen/Divulgação

Para a VW, muito mais vantajoso investir no T-Cross, afinal, os SUVs vêm fazendo sucesso no mercado brasileiro. Sem contar que o Fox já está desatualizado e fora de contexto dentro da gama - em quase 20 anos, não teve sequer mudança de geração. Hoje, as concessionárias vendem apenas as unidades em estoque. Algumas cores e pacotes, já acabaram, informaram as revendas consultadas pelo Jornal do Carro.

Virou até música

E se o Volkswagen Fox está indo embora, vale a pena relembrar alguns fatos. Afinal, o hatch produzido em São José dos Pinhais (PR) não conseguiu substituir o Gol, mas trouxe inovações para a marca, aumentou a família, arrancou dedos de usuários e foi até tema de música.

Quem não se lembra que, em 2009, a cantora Stefhany Absoluta fez uma paródia da música "A Thousand Miles" criando a canção "No Meu CrossFox" - em menção à configuração aventureira do modelo. Mesmo numa época em que o YouTube não era tão popular, o vídeo caiu nas graças do público e rendeu milhares de visualizações.

Fox
Volkswagen/Divulgação

O carro do vídeo foi emprestado para o clipe. Entretanto, a cantora ganhou um CrossFox de verdade em um programa de TV.

Histórico do carro

Projetado no Brasil, o Fox foi feito sobre a plataforma do Polo de quarta geração (código PQ24). A ideia original era chamar-se Tupi. Entretanto, reza a lenda que a Volkswagen desistiu da denominação porque sua pronúncia, em inglês, soaria como "to pee", que significa "urinar". Nesse sentido, a montadora achou de bom tom a troca do nome.

O nome Fox, todavia, significa "raposa", em inglês. Para a marca, a ideia de velocidade, agilidade e tamanho compacto característicos do animal caíram como uma luva para o hatch, que - apesar do visual sem graça e preço mais caro - queria substituir o Gol. Não deu certo.

No entanto, o Fox acabou caindo nas graças do público e vendeu bem. Um dos méritos se deve ao fato de que, muito antes dos SUVs, o modelo inovou com estrutura mais vertical. Isso, no entanto, caracterizou-o como um hatch "altinho", quase um monovolume, que encarava bem o asfalto brasileiro, bem como tinha sensação de maior espaço a bordo.

Volkswagen/Divulgação

Seu primeiro comercial de TV, portanto, destacava atributos como seus 17 porta-objetos, o controle do som no volante e a comodidade do ajuste de distância do banco traseiro.

Mutilações

Mas, o que era para ser uma inovação, virou um problemão para o Volkswagen Fox. Em 2008 - quando o modelo já tinha até mesmo a versão 4 portas e a configuração aventureira CrossFox, cheia de apliques plásticos, faróis auxiliares e até estepe pendurado na traseira - quase 10 pessoas tiveram o dedo decepado ao tentarem estender a área do porta-malas de maneira diferente do que mostrava o manual do proprietário.

Mesmo com o uso incorreto - utilizaram uma argola metálica ao invés da alça de tecido para afastar o banco de trás - as pessoas mutiladas venceram a VW pelo cansaço que, com isso, se viu obrigada a realizar um recall para correção do defeito. Este recall acabou ganhando a mídia. Foram mais de 500 mil unidades envolvidas.

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Inovação

Ainda em 2008, o Fox - que já tinha o station wagon SpaceFox na família, que ficou por 12 anos em linha - ganhou sua primeira reestilização. O hatch recebeu leves mudanças de para-choques, paleta de cores e rearranjo do catálogo de versões.

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Volkswagen/Divulgação

Foi na linha 2010 que o Fox teve a sua primeira mudança visual mais relevante. Tentando imitar o Polo europeu, renovou a dianteira com faróis redesenhados e lanternas com novos grafismos. Detalhes internos, como painel de instrumentos modificado e melhora na qualidade dos materiais, também foram destaques. As opções mecânicas, entretanto, permaneceram as mesmas, com motores 1.0 e 1.6, ambos flexíveis.

Por falar nisso, o Fox BlueMotion foi o primeiro carro da Volkswagen a adotar o motor 1.0 12V com três cilindros. Em nome da economia, a configuração carregava o motor da família EA211. Só mais tarde seria usado em Up, Gol, Polo e Voyage.

Inclusive, a versão BlueMotion também reduziu o consumo do motor 1.6. Com as mesmas adoções de detalhes aerodinâmicos vistas no 1.0 - como novas grades frontal e inferior, e uso de pneus verdes (baixa resistência ao rolamento) - o Fox tinha média de consumo 12,7% mais baixa que no modelo 1.6 convencional. O consumo misto (cidade/estrada) era de 16,1 km/l com gasolina no tanque.

Últimos retoques visuais

O Volkswagen Fox atual tem a mesma carinha desde 2015. Foi nessa época que o hatch ganhou mais um facelift. Os faróis mudaram, a grade ficou mais fina e, na parte de trás, as lanternas, então, passaram a invadir a tampa do porta-malas.

Dividiu opiniões, mas o bom comportamento do novo motor 1.6 16V com 4 cilindros e até 120 cv reavivou as vendas. Pena que a solução era combinada ao câmbio automatizado I-Motion nas versões topo de linha. Na época, a VW ainda não tinha o câmbio automático de seis marchas disponível em seus compactos. Sorte que o 1.6 8V de 104 cv (família EA111) continuava atrelado ao câmbio manual. É dura até hoje.

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Volkswagen/Divulgação

Disponível na versões de acabamento Connect e Xtreme, o Fox fez história no País. Estima-se que a produção tenha rondado as 2 milhões de unidades. Entretanto, o número de vendas totais do modelo - de 2003 para cá - não foi informado pela fabricante até o fechamento desta reportagem, conforme solicitado pelo Jornal do Carro.

O fato de os SUVs serem a bola da vez no Brasil torna a manutenção do Fox em linha algo insustentável. Pois o consumidor já não o vê com os mesmos olhos. Hoje, o cliente da marca migrou sua preferência ao T-Cross e ao Nivus, que, curiosamente, usam a base do Polo atual. Os SUVs também trazem os motores 1.0 turbo ou 1.4 turbo, que são mais modernos, ambos com câmbio automático.

Para completar, a marca vai apostar em outros modelos para o Brasil e a região nos próximos anos. Entre eles, o Polo Track e o novo Gol, previsto para chegar em 2023 com estilo de SUV.

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