Avaliação

Volta rápida: Mini Cooper elétrico tem veia esportiva sem poluir o ar

Com preço a partir de R$ 239.990, hatch elétrico da Mini empolga ao volante como nas versões a gasolina, mas sem emitir gases pelo escape

Diogo de Oliveira

21 de jul, 2021 · 14 minutos de leitura.

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Mini começa a vender no Brasil o Cooper S E, verão totalmente elétrica do icônico hatch inglês
Crédito:Diogo de Oliveira/Estadão

Os carros elétricos não param de chegar ao Brasil, mas nem todos os modelos possuem uma imagem tão carismática quanto o Mini Cooper. Após uma rodada de pré-venda, em que a marca britânica não revela a quantidade de pedidos recebidos, o Mini Cooper S E, com motorização 100% elétrica, está oficialmente à venda no País.

Disponível em três versões, os preços são competitivos e colocam o simpático hatch inglês na disputa com os elétricos mais vendidos de marcas tradicionais, como Chevrolet Bolt, Nissan Leaf e Renault Zoe. Os valores sugeridos pela Mini vão de R$ 239.990, na versão Exclusive, até R$ 269.990, pela topo de linha Top Collection com pintura degradê no teto.

Assim, o Mini Cooper elétrico chega ao Brasil em sua forma mais clássica, na carroceria hatch 3 portas, porém com um motor elétrico de 184 cv de potência e 27,5 mkgf de torque – energia equivalente à dos novos motores 1.3 turbo flexíveis de Renault e Stellantis. Além de uma bateria de 32,64 kWh, que lhe dá autonomia para rodar 234 km com a carga completa.

Mini Cooper elétrico
Diogo de Oliveira/Estadão

Representando a marca

Segundo Rodrigo Novello, o diretor de vendas e marketing da Mini do Brasil, a engenharia “ajustou todos os pontos” para manter a essência da marca nesse novo universo de veículos elétricos. E depois de passar algumas horas ao volante do novo Mini Cooper elétrico, posso dizer que a tarefa de representar o “Go Kart Feeling” foi concluída com sucesso.

Em nosso primeiro contato ao volante, o hatch movido por baterias se revelou tão divertido e fiel ao estilo da Mini quanto as versões tradicionais com motores a gasolina. E melhor: sem emitir um grama de qualquer gás poluente. Talvez essa sensação não se revele tão marcante antes de acelerar um carro elétrico, mas quando se está ao volante de um deles…

Ao mesmo tempo, por fora e por dentro, o modelo elétrico é exatamente igual aos demais da gama. Ou seja, o que o diferencia são os detalhes, como a letra “S” na cor amarela. Este é o tema da versão elétrica, com detalhes pintados nesta cor, tal como nas rodas de 17″, cujo desenho remete ao padrão da tomada de luz da Inglaterra.

Na traseira, o emblema da versão tem forma de uma tomada e a cor amarelo. Por falar em tomadas, neste primeiro lote, a Mini vai vender o Cooper S E em conjunto com o carregador de parede Mini Wallbox, que custa R$ 7.900, ou seja, um baita presente. Isso porque, além de sair de graça, o carregador garante a carga completa das baterias em 2h10m.

Mini Cooper elétrico
Diogo de Oliveira/Estadão

Silencioso e rápido

Assim que saí da concessionária Mini Autostar, na Av. Europa, principal endereço das marcas de carros de luxo na cidade de São Paulo, a sensação foi de surpresa. Afinal, a bordo e com os vidros fechados, quase não se houve barulho algum vindo do lado de fora. Tal como em tantos outros carros elétricos, o Mini Cooper S E é silencioso.

Entretanto, ao pressionar um pouco mais o pedal do acelerador, o hatch acelera rapidamente, com sprints divertidos. Segundo a marca inglesa, a versão elétrica é 190 kg mais pesada que o Mini Cooper S com motor turbo, porém esse lastro ganho com a instalação do pacote de baterias sob o assoalho, na verdade, quase não é sentido pelo motorista.

Isso se dá porque a Mini fez alguns ajustes. A altura, por exemplo, foi elevada em 18 milímetros, como forma de “proteger” justamente a parte inferior do hatch diante do nosso asfalto irregular. Ao mesmo tempo, a marca baixou em 30 mm o centro de gravidade, o que deixa a versão elétrica ainda mais “grudada no chão” em curvas fechadas.

Mas a principal diferença na condução é o sistema de regeneração dos freios, que oferece dois níveis. Um deles é leve, e deixa o carro rolar quando liberamos o acelerador. Já o modo mais pesado produz um freio motor tão forte, que, na prática, quase não é necessário frear. Assim que o motorista para de acelerar, o sistema freia com uma carga maior até o hatch parar.

Cooper elétrico
Mini/Divulgação

Cidade X Estrada

Com esse sistema, tem-se uma recuperação de energia maior em situações de “anda e para” na cidade. E, assim, é possível até “ganhar autonomia”, fazendo as baterias durarem mais tempo, chegando aos 234 km declarados. Para quem está acostumado com o ronco e a pegada mais vibrante dos modelos a combustão, certamente vai estranhar um pouco a dinâmica.

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Em alguns momentos, como é comum dos carros elétricos mais modernos, o Mini Cooper S E parece andar sobre trilhos. Isso é interessante na cidade, já que o próprio veículo reduz a velocidade e quase dispensa o uso do pedal do freio. Porém, na estrada, essa sensação pode não agradar. Foi o que senti quando peguei a rodovia Castelo Branco rumo a Sorocaba (SP).

Aproveitei esse trecho para testar os modos de condução. Há quatro disponíveis: Sport, MID (que é o normal), Green e Green+. Este último é perfeito para o caso de a bateria estar com pouca carga. Com esse ajuste, o carro limita até o funcionamento do ar-condicionado. Tudo para poupar alguns quilômetros até o dono poder recarregar as baterias.

Ao sair da cidade com o Mini Cooper elétrico, deixei o seu habitat natural. O hatch da marca inglesa definitivamente não é afeito a viagens longas. Pouco depois de escolher o modo Sport e dar umas boas aceleradas, a autonomia das baterias baixou rapidamente, e passei a ter receio de não encontrar uma tomada no caminho que pudesse me garantir a volta para a capital.

Mini/Divulgação

Pluga na tomada

Apesar do meu receio, não fiquei sem bateria. Do bairro Itaim Bibi, em São Paulo, fui até o km 60 da Castelo Branco, onde há um outlet. Lá, haveria de ter uma estação de recarga, afinal, a própria BMW, dona da Mini, bem como outras marcas luxuosas, vêm investindo pesado para criar uma rede de abastecimento nas principais rodovias paulistas.

Pois dito e feito. Chegando ao Shopping Catarina, os seguranças indicaram o caminho até o carregador. Lá, havia uma estação de carga rápida da Porsche em corrente alternada (AC). Como o plug é universal, foi o suficiente para encher totalmente o pacote de baterias em cerca de 2 horas. São 12 módulos, o que, de acordo com a Mini, garante manutenção mais barata, já que é possível fazer reparos individualmente. O pacote tem 8 anos de garantia ou 100 mil km.

Com carga cheia, voltei para a estrada, mas logo descobri duas falhas. Primeiro, não há carregador por indução para smartphones. Precisa plugar o cabo USB, e há apenas uma entrada na base do painel. Além disso, a central multimídia da Mini só oferece Carplay, ou seja, o sistema só espelha aparelhos celulares da Apple. Não há o Android Auto.

Por causa disso, resolvi experimentar o GPS nativo que é conectado à internet e mostra dados de trânsito em tempo real. Mas o sistema não é intuitivo. Foi tão complicado inserir meu destino, que acabei fazendo pelo celular. Uma das novidades da marca é o aplicativo “Mini App”. Com ele, é possível dar vários comandos a partir do smartphone. Tal como enviar um endereço para a multimídia do carro. Foi o que eu fiz.

Mini Cooper elétrico
Mini/Divulgação

Zero a 100 km/h de esportivo

Na estrada, com mais espaço e segurança, aproveitei para fazer algumas tomadas de aceleração. Na prática, o hatch elétrico arranca como um pequeno esportivo. O zero a 100 km/h oficial é feito em 7,3 segundos, e o zero a 60 km/h é ainda mais rápido, com 3,9 segundos apenas. Já a velocidade máxima é limitada a 150 km/h, para poupar as baterias.

Na prática, essa máxima é mais do que suficiente, até porque nossos limites de velocidade no Brasil costumam ir de 100 km/h a 120 km/h. Mas para quem curte fazer “track days” com seu Mini Cooper, esqueça a versão elétrica. Em poucas acelerações mais agudas, ficou claro que a autonomia pode baixar na mesma proporção, ficando muito abaixo dos 234 km.

Assim, o Mini Cooper elétrico, embora preserve a veia esportiva da marca, não é um carro para este tipo de uso. Na verdade, o modelo apela ao lado civilizado e ecológico, e acena com a ausência de emissões. É muito bacana saber que você está em movimento e o carro não está poluindo o ar. O modelo ainda faz bonito na lista de tecnologias embarcadas.

Dessa forma, tentar fazer jus ao preço salgado para o seu tamanho e proposta. Há faróis de LEDs adaptativos com iluminação matricial, controle de tração aprimorado, teto solar panorâmico, head-up display, chave presencial, sistema de som premium Hi-Fi Harman Kardon, além da multimídia de 8,8″ com internet e serviços conectados de concierge.

A versão Top Collection pode ter ainda outros recursos, como o volante revestido em couro Nappa e a possibilidade de usar a assistente virtual Alexa, da Amazon. Levando em conta os rivais, o Mini Cooper elétrico promete surpreender nas vendas. E inserir a marca britânica em um nicho onde ela pode se destacar novamente, agora com o viés sustentável.

Prós

  • Aceleração forte preserva o espírito da marca
  • Estilo carismático e icônico o diferencia no visual
  • Versão tem tem Head-Up display e faróis automáticos

Contras

  • Autonomia das baterias poderia ser maior
  • Cabine é compacta e tem somente duas portas de acesso
  • Multimídia só espelha celulares da Apple

Ficha Técnica

Mini Cooper S E Top Collection

Preço sugerido

R$ 269.990

Motor

Elétrico, alimentado por bateria de íon de lítio de 32,64 kWh

Potência

184 cv

Torque

27,5 mkgf (250 Nm)

Câmbio

Automático; tração dianteira

Comprimento

3,85 metros

Entre-eixos

2,49 metros

Porta-malas

211 litros

Autonomia das baterias

234 km (modo MID)

Tempo de recarga

29m (ultrarrápido); 2h10m (Mini Wallbox); 14h (tomada comum)

Aceleração 0-100 km/h

7,3 segundos

Velocidade máxima

150 km/h

Peso

1.365 kg