Primeira Classe

Carro pé de boi dá adeus ao Brasil

Aumenta o preço. Melhora o custo-benefício

Rafaela Borges

04 de ago, 2018 · 6 minutos de leitura.

Kwid Mobi carro pé de boi" >
Kwid e Mobi
Crédito: Eles são remanescentes da classe carro pé de boi (Foto: Daniel Teixeira/Estadão

A crise econômica que vem ganhando força desde 2015 mudou a configuração do mercado brasileiro de veículos. A participação dos modelos mais populares caiu. O ranking de vendas passou a ser dominado por hatches compactos mais equipados. Nesse contexto, o carro pé de boi, aquele mal acabado e sem equipamentos importantes, começou a desaparecer.

Na nova configuração, Chevrolet Onix e Hyundai HB20 (nenhum pode ser definido como carro pé de boi) se deram bem. O Gol, que tinha apelo mais popular (algo que acaba de mudar) e o Palio (agora já fora de linha) perderam espaço.

Além disso, modelos lançados para serem opções de entrada (o carro pé de boi da montadora), com amplos volumes de emplacamentos, como Fiat Mobi e VW Up!, não conseguiram ficar nem na lista dos cinco mais vendidos.


A VW acabou, inclusive, mudando o posicionamento do compacto. A versão de entrada do Up!, agora, passa dos R$ 50 mil iniciais. É um valor mais alto que de Fox e Polo mais simples. Ele deixou de ser carro pé de boi para virar carro de estilo.

 

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Carros caros na frente

Na nova configuração do mercado, modelos mais caros, com preços em torno dos R$ 100 mil, passaram a ser presença frequente na lista dos dez mais emplacados do País.

Dois bons exemplos são o Toyota Corolla e o Jeep Compass. Nesse contexto, simplificar a gama, deixando o carro pé de boi de lado, é uma decisão sensata. Afinal, para o brasileiro, equipamentos como ar, direção, vidros e travas elétricos passaram a ser obrigatórios.


Além disso, quem comprava veículos sem esses itens não tem mais acesso ao crédito ou vê o sonho de comprar um zero-km barrado pelos juros altos.

Marcas abandonam carro pé de boi

Marcas como Honda e Toyota nunca tiveram carro pé de boi no Brasil. Mesmo os modelos mais simples sempre vieram com itens importantes, como ar-condicionado, direção assistida e conjunto elétrico.

Entre as montadoras mais tradicionais do Brasil, a Chevrolet se antecipou e há tempos adotou a estratégia de privilegiar o custo-benefício. Com isso, não oferecia os carros mais baratos, pois seus modelos deixaram de ser vendidos sem os itens agora considerados mandatórios.


No entanto, conseguiu oferecer o melhor custo-benefício. Na comparação com os rivais com o mesmo nível de equipamentos, seus modelos passaram a valer mais a pena.

Logo que deixou de ter carro pé de boi, colheu frutos e lidera as vendas no País. Com isso, superou a Fiat, que era a rainha dos carros populares cheios de opcionais.

Agora, chegou a vez de a Volkswagen abandonar o carro pé de boi. A marca fez um reposicionamento em sua linha, reduziu o número de versões e de combinações possíveis e deixou de oferecer modelos pelados. Agora, todos vêm com ao menos ar-condicionado e direção assistida.


O processo de simplificação começou no ano passado, e ganhou força em 2018. Ele ajudou, segundo a própria Volks, a marca a ganhar participação de mercado.

Após a Chevrolet, a Volkswagen também passou a Fiat. Agora, é a vice-líder. Isso mostra que gamas mais enxutas, e carros mais equipados, são uma aposta certeira ou um caminho sem volta.

Carro pé de boi: os remanescentes

É claro que ainda há autênticos representantes da classe do carro pé de boi no mercado brasileiro. Desse grupo, os principais são o Mobi e o Kwid.


No caso do Mobi, o grosso das vendas são para locadoras e frotas empresas. Nesse caso, pode até ser que opções sem ar-condicionado e direção assistida ainda vendam bem.

No Kwid, porém, a versão de entrada, aquela lançada por R$ 30 mil (mas que já ficou mais cara), não vende. As mais procuradas são a intermediária, com itens considerados básicos, e a topo de linha, com direito a central multimídia.

 


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