Os sedãs médios, que vêm perdendo clientes para os SUVs, não estão conseguindo se recuperar no mercado brasileiro. Em janeiro, surgiu um novo fato “perturbador” para esses modelos.
A maioria já havia sido deixada para trás pelo Mercedes-Benz Classe C. Agora, eles foram ultrapassados por um outro modelo de luxo: o Audi A3 Sedan.
Toyota Corolla, Honda Civic e Chevrolet Cruze continuam indo relativamente bem, ao menos na comparação com os demais concorrentes. E, em um futuro próximo, não deverão ser incomodados pelos carros de luxo.
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Ford com câmbio automatizado Powershift
A transmissão de dupla embreagem Powershift deu e dá tantos problemas que está muito longe de ser uma boa opção de compra no mercado de usados, nem levando-se em conta que a Ford estendeu para dez anos a garantia do sistema. A montadora está abandonando esse tipo de câmbio, tanto que o novo EcoSport passou a empregar sistema convencional, com conversor de torque. Além do Eco anterior, o Fiesta e o Focus também utilizam sistema Powershift.
Effa M100
A Effa estreou no Brasil há dez anos, com o M100. Mas o modelo tinha desempenho fraco, acabamento simples demais e pouca estabilidade, além de baixa qualidade. Não durou no mercado, e não tem motivos para ser considerado como opção no mercado de usados.
Fiat com câmbio automatizado
Lojistas evitam pegar modelos da Fiat com câmbio Dualogic, automatizado. Diferentemente do sistema da Ford, o problema dos Fiat não é quebra, mas lentidão nas trocas. A foto é de um Punto, mas poderia ser também do Palio, Stilo, Siena, Linea, etc.
JAC J5
O lojista Álvaro Mari, da Primo's Car, evita veículos chineses em geral em sua loja, na Zona Norte de São Paulo. No caso do J5, há outras razões: o motor 1.5 está subdimensionado para o modelo. E a JAC está paralisando a importação de seus modelos urbanos (J2, J3 e J3 Turin), e o J5 pode entrar na lista. A ideia é concentrar esforços nos SUVs, caso do T40 e T5 e T6.
Citroën DS5
Na loja multimarcas Trans-Am Faraj, na Zona Norte, um reluzente Citroën DS5 já completou um ano no estoque. O motivo pode estar na falta de teto solar, item considerado indispensável nesse tipo de automóvel. Sem ele, o carro vira mico.
Geely EC7
A foto é do sedã EC7, mas poderia ser a do compacto GC2. A Geely teve vida muito curta no País. Chegou em 2014 e partiu em 2016. Sem representação, a assistência técnica (peças e mão-de-obra) torna-se uma incógnita.
Chevrolet Agile com câmbio automatizado
O câmbio automatizado na Chevrolet, batizado de Easytronic, equipou Agile e Meriva, e não deixou saudades. As trocas eram demoradas e feitas com trancos, motivo pelos quais os modelos são evitados pelos lojistas.
Lifan 320
O 320 (a foto é do modelo 2010) era uma cópia de baixíssima qualidade do Mini, que parou de ser importado. Com isso, a desvalorização aumentou muito. Lojistas e seguradoras não querem correr riscos com modelos assim.
Volkswagen com câmbio automatizado
A foto é do Voyage, mas também poderia ser do Fox, do Gol, do Polo... O câmbio automatizado da Volkswagen também não é muito bem visto pelos lojistas, por causa das demoras nas trocas de marcha.
Chery Celer
Os carros da Chery também não escapam da rejeição dos lojistas, a exemplo do que ocorre com outros chineses. É o caso do comerciante Álvaro Mari, da Primo's Car, que evita comprá-los, por saber que a revenda será complicada.
Vendas de sedãs médios (e médios-grandes)
A Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), utilizada como fonte de dados para essa análise, coloca, na mesma categoria do ranking de vendas, os sedãs médios e os médios-grandes. Por isso, há grande diferença de preço e tamanho entre os modelos listados.
Porém, esse agrupamento evidencia também o quanto os sedãs médios estão indo mal. Em janeiro, o Corolla teve 4.075 emplacamentos, ante 1.840 do Civic e 1.611 do Cruze.
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O Jetta ainda conseguiu se safar em janeiro, com 504 emplacamentos. Todos os demais ficaram atrás de Classe C e A3 Sedan, que partem de, respectivamente, R$ 187.900 e R$ 125.990. Vale lembrar que, na média, o preço das versões de entrada do sedãs médios à venda no Brasil é de R$ 90 mil.
No mês passado, o Mercedes-Benz teve 311 unidades vendidas e o Audi, 281. Esses números superam os 257 emplacamentos do Nissan Sentra e os 234 do Citroën C4 Lounge e do Kia Cerato (os dois sedãs médios ficaram empatados). O Ford Fusion, que médio-grande e tem preço inicial mais alto – R$ 122.200 -, somou 216 vendas em janeiro.
Em seguida aparecem o Focus Sedan (189 unidades), que está saindo de linha, e o Mitsubishi Lancer (147).
Muitos desses sedãs também tiveram vendas inferiores às de alguns SUVs de luxo, como Mercedes-Benz GLA, Audi Q3 e Volvo XC40.
VEJA QUAIS FORAM OS CARROS DE LUXO MAIS VENDIDOS EM JANEIRO
10º Mercedes-Benz GLC
116 unidades vendidas
9º Volvo XC60
176 unidades vendidas
8º BMW X1
205 unidades vendidas
7º Land Rover Discovery
209 unidades vendidas
6º Volvo XC40
218 unidades vendidas
5º Audi Q3
225 unidades vendidas
4º Mercedes-Benz GLA
226 unidades vendidas
3º BMW Série 3
258 unidades vendidas
2º Audi A3 Sedan
281 unidades vendidas
1º Mercedes-Benz Classe C
311 unidades vendidas
Sedãs médios x carros de luxo
Os sedãs médios e os modelos de luxo, sejam eles três-volumes ou SUVs, não são rivais diretos. Eles têm proposta e preços muito diferentes.
Geralmente, consumidores em evolução socioeconômica saem dos sedãs médios para ingressar no segmento de luxo ou de SUVs médios.
Assim, mesmo que os modelos premium estejam deixando os três-volumes para trás no ranking de vendas, não dá para dizer que esses fenômenos estão relacionados. O fato de modelos de nicho superarem carros que até recentemente tinham bons volumes de vendas, evidencia o quanto o segmento de sedãs médios vai mal das pernas.
E o que os está derrubando? Os SUVs compactos, que já fizeram o mesmo com os hatches médios, as peruas, etc. Uma análise mais detalhada sobre essa transferência de consumidores você confere aqui.
Segmento de luxo em janeiro
Os sedãs de luxo tiveram desempenho de vendas bem melhor que o dos SUVs premium em janeiro, como você pode conferir na galeria acima. Entre as marcas, só houve uma novidade na comparação com 2018.
Trata-se da Audi, que tirou da BMW o segundo lugar, somando 768 emplacamentos, ante os 708 da rival. A Mercedes-Benz manteve o primeiro lugar, com 877 vendas.
Enquanto o A3 Sedan teve um ótimo desempenho no mês passado, o X1, SUV de luxo mais vendido do Brasil em 2018, ficou apenas na oitava posição em janeiro.
A Volvo ficou com o quarto lugar (485 unidades vendidas) e a Land Rover, com o quinto (442).
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