Primeira Classe Rafaela Borges

Carros bons de venda que o público não ama

Alguns modelos que têm alto volume de emplacamentos só vão bem por causa das vendas diretas. Um dos principais exemplos é o Renault Sandero

Renault Sandero
Renault Sandero Impulsionado pelas vendas diretas, carro foi muito bem no ranking de abril (Foto: Renault)

Alguns modelos que têm alto volume de emplacamentos só vão tão bem por causa das vendas diretas. Assim, eles são sucesso de emplacamentos, mas não recebem do cliente final a atenção que seus números sugerem. Um dos principais exemplos é o Renault Sandero.

 

 

O modelo chamou a atenção em abril por ter ficado no sétimo lugar do ranking de vendas de automóveis. Porém, será que houve mesmo uma maior demanda dos consumidores pelo Renault Sandero, em concessionárias?

Será que a Renault fez promoções para o carro? Será que o Renault Sandero acabou sendo a escolha de quem procurou um Kwid, mas não quis enfrentar as filas para entrega do novo carrinho?

Analisando os números de vendas do mês passado, a resposta é não. Por quê? O impulso no ranking do Renault Sandero foi obtido graças a um alto fluxo de vendas diretas.

O que significam as vendas diretas? São as realizadas diretamente entre fábrica e pessoas jurídicas (empresas, frotistas, taxistas, produtores rurais, etc) ou pessoas com necessidades especiais. Geralmente, há um grande desconto para esses modelos.

É comum que as vendas diretas dependam mais de bons contratos oferecidos por montadoras do que do gosto do consumidor. Mas claro que há exceções a esses casos.

 

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Varejo representa gosto do freguês

Já nas vendas no varejo os negócios são fechados entre concessionárias e clientes finais. É o resultado no varejo que, no geral, determina as reais preferências do consumidor de carros.

Por isso, alguns veículos com volumes muito altos podem não ser assim tão adorados pelo brasileiro. Aqui, mostraremos os modelos que se enquadraram nessa modalidade em abril.

Além do Sandero, há outros casos assim, que vamos listar abaixo. A posição no ranking, tanto no geral quanto no varejo, é a ocupada na lista de automóveis.

Isso porque quase todos os comerciais leves (inclusive picapes) são vendidos, em sua maioria, pela modalidade direta (a exceção é a Toyota Hilux). Assim, eles vão ficar fora dessa análise (confira detalhes no fim do texto).

Renault Sandero e outros casos

São seis os casos de carros que foram bem na lista de vendas de abril por causa de vendas diretas. Para chegar a esses modelos, consideramos aqueles que ocuparam o “top 30” no ranking e que tiveram menos de 50% de seus emplacamentos provenientes de negócios fechados no varejo.

Desses casos, quatro são mais graves: os de Renault Sandero, VW Voyage, Ford Ka+ (sedã) e Jeep Renegade, que tiveram menos de 35% de suas vendas totais provenientes de negócios fechados no varejo. O Renegade, porém, tem uma boa “desculpa”, que você poderá ver mais abaixo.

O Renault Sandero teve apenas 33,15% dos emplacamentos registrados em abril gerados por negócios no varejo.

No mês passado, o Renault Sandero somou 5.814 unidades emplacadas. Destas, 1.941 foram no varejo, ranking no qual o Renault Sandero ocupou a 21ª posição entre os automóveis.

O Ka+ também foi mal no varejo, que representou 32,6% de seus emplacamentos totais (de 3.525 exemplares). Nesse ranking, ele é apenas 29º colocado. No geral, foi 18º.

No caso do Gol, a dependência do atacado é um pouco menor, mas também alta. Das 5.449 unidades do carro vendidas em abril, 2.284 (41,9%) foram no varejo.

Enquanto o hatch ocupou a 9ª posição no ranking geral, ele foi apenas 18º no varejo. A maior dependência, no entanto, foi a do “irmão” Voyage.

O modelo teve só 474, dos 2.825 exemplares emplacados em abril, vendidos no varejo. Ou seja: essa modalidade representou 16,8% de suas vendas.

No geral, o Voyage foi o 24º carro mais emplacado do Brasil; no varejo, ocupou a 43ª posição.

 

 

Dois SUVs compactos

Há dois integrantes do segmento mais badalado do Brasil no grupo dos carros que são mais vendidos no atacado que no varejo.

Mais dependente que o Sandero em abril foi o Jeep Renegade. Não é à toa que o carro liderou o segmento de SUVs compactos no mês passado: ele teve uma explosão de vendas diretas.

É por esta razão que, neste post aqui, eu afirmei não acreditar que o Renegade possa fechar o ano à frente do Creta, posição em que se encontra agora.

Normalmente, as vendas diretas do modelo são altas, mas não tão altas a ponto de sustentar essa vantagem. O Renegade também é bastante vendido para portadores de necessidades especiais.

Em abril, o Renegade somou 4.462 emplacamentos e foi o 12º carro mais vendido do País. Já no ranking de varejo, ele foi somente o 26º colocado.

As vendas no varejo representaram 31,5% dos emplacamentos do carro em abril. A favor do Renegade, está o fato de ele ser o único compacto com versão a diesel. Carros com esse tipo de motor costumam ser muito procurados para negócios no atacado.

Outro que está nessa lista é o Nissan Kicks. O modelo teve apenas 44,8% de suas vendas provenientes de negócios do varejo em abril. Nesse ranking, ele foi 24º colocado – no geral, foi 17º.

O Kicks, no entanto, tem como “desculpa” o fato de oferecer uma versão muito interessante para portadores de necessidades especiais. Trata-se da Direct, que sai por menos de R$ 55 mil com as isenções destinadas a esses consumidores.

Amados ou não?

Eu acredito que, no caso do Kicks, não estamos vendo um caso de carro que vende bem, mas não é adorado pelo público. Isso porque as vendas para PCD são diferentes das feitas para pessoas jurídicas: elas dependem totalmente do gosto do freguês.

Talvez isso também se aplique ao Renegade, embora, no caso do Jeep, o porcentual de vendas no atacado seja bem maior.

Por outro lado, se o HR-V tivesse um bom programa para PCD (que o Creta, por exemplo, tem), talvez não estivesse sendo ameaçado pelo Kicks no ranking de vendas (veja aqui).

Uma curiosidade sobre o ranking de SUVs. Em abril, a ordem, a partir do primeiro colocado, no varejo, foi: HR-V, Creta, Compass, Tracker, EcoSport, Kicks e Renegade.

Já no ranking que soma atacado e varejo, a ordem foi bem diferente: Compass, Renegade, Creta, Kicks, HR-V, EcoSport e Tracker.

Comerciais leves

Quando se olha para o ranking de comerciais leves, especialmente o de picapes, nota-se que a maioria tem mais de 50% das vendas provenientes de negócios no atacado.

É fácil de explicar: esses modelos, embora venham ganhando certo apelo urbano, de “estilo de vida”, são mais voltados ao trabalho. Isso tanto na cidade como no campo. Nesses casos, as vendas são diretas, feitas para pessoas jurídicas.

E por falar em campo, picapes, tanto compactas quanto médias, são muito compradas para uso em fazendas. A maioria das montadoras oferece uma modalidade conhecida como “Plano Rural”, que concede descontos a proprietários rurais (o que configura venda direta).

Por isso, não consideramos as picapes nessa análise. Aqui, não é uma questão de preferência do público, e sim de utilidade do produto.

ATUALIZADO ÀS 18H09 DE 14 DE MAIO DE 2018

 

 

 


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