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Propaganda de carro vai mal

Se dependesse de alguns comerciais recentes, não sei se as montadoras estariam vendendo automóveis. Num deles, o dono do carro faz rafting na enxurrada!

Hairton Ponciano

21 de jul, 2017 · 4 minutos de leitura.

Honda WR-V" >

Crédito: Ao elaborar a campanha publicitária do WR-V, a Honda achou que um rafting na rua poderia funcionar... Foto: Honda

 

A propaganda de automóveis está atravessando uma crise de criatividade. Não sei se esse é o resultado de contenção de custos, e, portanto, um reflexo do próprio mercado, que continua andando de lado. Mas o fato é que, se dependesse dos últimos comerciais, eu não teria a menor motivação para trocar de carro.

Claro que há exceções, mas vou me ater a dois exemplos recentes, um nacional e um chinês. O (mau) exemplo brasileiro é o comercial do Honda WR-V. Não sei se todos viram, mas, em resumo, o argumento é o seguinte: de repente, arma-se um temporal no céu e todos procuram um abrigo seguro. Ao mesmo tempo, um cidadão, que vê na tevê a notícia da tempestade que se aproxima, sai de casa com seu WR-V e anda pela cidade até encontrar uma enxurrada. Lá, retira seu caiaque para descer a corredeira urbana!

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A cena é tão improvável que nem vou colocar o link. A propaganda está no Youtube.

Também fico pensando na hipotética reunião de briefing:

Pessoal da Honda: “O carro é um utilitário-esportivo, com suspensão elevada e reforçada, e visual aventureiro”.


Agência: “Legal, podemos levá-lo para a lama, atravessar algum riacho”.

Honda: “Não dá, o carro é um aventureiro urbano, pode encalhar”.

Agência: “Que tal passar por buracos e lombadas?”.


Honda: “Isso qualquer carro faz, todo santo dia”.

Em algum momento, deve ter surgido a ideia do temporal, a de que o carro é bom para chuva. Daí chegou-se ao rafting na rua…

Outra ideia infeliz veio da Audi, na China. A marca alemã fez uma comparação entre carro usado e mulher. Mais precisamente, a mãe do noivo interrompe o casamento do filho e vai até o altar. Puxa o nariz da moça de um lado para outro, puxa a orelha, abre a boca para ver os dentes… Tudo como se estivesse avaliando um carro usado.


Não sei na China, as culturas são muito diferentes entre os países, mas desconfio que na Alemanha a Audi não veicularia uma propaganda dessas. O vídeo:

Garanto que não é por saudosismo, mas de vez em quando revejo este anúncio do Golf. Ele entrega com muita precisão a mensagem que a Volkswagen pretende transmitir, a de que o carro é robusto. E não tem como não se encantar com a doçura da vendedora do carro. Veja aqui:


 

VEJA TAMBÉM: DEZ VEZES EM QUE AS MONTADORAS SE PROVOCARAM 


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Carros elétricos são mais seguros do que automóveis a combustão?

Alguns recursos podem reduzir o risco de incêndio e aumentar a estabilidade

26 de abr, 2024 · 2 minutos de leitura.

Uma pergunta recorrente quando se fala em carro elétrico é se ele é mais ou menos seguro que um veículo com motor a combustão. “Os dois modelos são bastante confiáveis”, diz Fábio Delatore, professor de Engenharia Elétrica da Fundação Educacional Inaciana (FEI). 

No entanto, há um aspecto que pesa a favor do automóvel com tecnologia elétrica. Segundo relatório da National Highway Traffic Safety Administration (ou Administração Nacional de Segurança Rodoviária), dos Estados Unidos, os veículos elétricos são 11 vezes menos propensos a pegar fogo do que os carros movidos a gasolina.

Dados coletados entre 2011 e 2020 mostram que, proporcionalmente, apenas 1,2% dos incêndios atingiram veículos elétricos. Isso acontece por vários motivos. Em primeiro lugar, porque não possuem tanque de combustível. As baterias de íon de lítio têm menos risco de pegar fogo.

Centro de gravidade

Segundo Delatore, os carros elétricos recebem uma série de reforços na estrutura para garantir maior segurança. Um exemplo são os dispositivos de proteção contra sobrecarga e curto-circuito das baterias, que cortam a energia imediatamente ao detectar uma avaria.

Além disso, as baterias são instaladas em uma área isolada, com sistema de ventilação, embaixo do carro. Assim, o centro de gravidade fica mais baixo, aumentando a estabilidade e diminuindo o risco de capotamento. 

E não é só isso. “Os elétricos apresentam respostas mais rápidas em comparação aos automóveis convencionais. Isso facilita o controle em situações de emergência”, diz Delatore.

Altamente tecnológicos, os veículos movidos a bateria também possuem uma série de itens de segurança presentes nos de motor a combustão. Veja os principais:

– Frenagem automática de emergência: recurso que detecta objetos na frente do carro e aplica os freios automaticamente para evitar colisão.

– Aviso de saída de faixa: detecta quando o carro está saindo da faixa involuntariamente e emite um alerta para o motorista.

– Controle de cruzeiro adaptativo: mantém o automóvel a uma distância segura do carro à frente e ajusta automaticamente a velocidade para evitar batidas.

– Monitoramento de ponto cego: pode detectar objetos nos pontos cegos do carro e emitir uma advertência para o condutor tomar cuidado.

– Visão noturna: melhora a visibilidade do motorista em condições de pouca iluminação nas vias.