BMW, Harley-Davidson e Ducati abandonam o Salão Duas Rodas

Falta de espaço para experimentação e custo do evento são fatores para saída de BMW, Ducati e Harley-Davidson do Salão Duas Rodas; Triumph e Dafra ainda não confirmaram

salão duas rodas
SALÃO DUAS RODAS QUANDO AINDA ERA NO ANHEMBI, ATÉ 2015. CRÉDITO: SERGIO CASTRO/ESTADÃO

No mês passado, a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) renovou o contrato com a Reed Exhibitions Alcantara Machado para a realização do Salão Duas Rodas até 2025. O local continuará sendo o São Paulo Expo.

Contudo, a notícia não é de toda positiva. Para a edição 2019 do evento, que ocorre entre 19 e 24 de novembro, já há três baixas confirmadas: BMW, Ducati e Harley-Davidson. As três marcas premium, que atuam no Brasil e têm produção nacional optaram por ficar de fora da exposição desse ano.

Com um discurso parecido, as marcas abriram mão de estar no evento devido a um custo elevado de produção e compra do espaço. Porém, o principal fator citado por todas é o foco na experimentação, que o Salão Duas Rodas não oferece. Isso seria o ponto de conexão das marcas.

Segundo o CEO da Ducati, Diego Borghi, hoje, com o atual formato, o Salão Duas Rodas não atende as demandas das montadoras. “Para ver e subir na moto, o consumidor vai até a concessionária e tem esse contato”, afirmou o executivo.

Borghi citou como fator de experimentação o Ducati Riding Experience (DRE). É um programa de treinamento oferecido para os proprietários de motos Ducati em diversos módulos. O DRE chegou ao Brasil no final do ano, mas já existe em outras partes do mundo como parte das operações da Ducati.

A BMW segue a mesma lógica, mas afirma que vem ” examinando a sua presença em feiras e outros compromissos, ao mesmo tempo em que está explorando novas plataformas e formatos alternativos”. A marca, assim como a Ducati, tem investido em cursos, passeios e track days para clientes e entusiastas.

No comunicado que divulgou, afirma também que vai investir em outros eventos para os amantes da marca. A BMW tem, ao redor do mundo, declinado de alguns eventos como fez com o Salão de Detroit 2019.

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A Harley-Davidson segue a mesma linha de conduta. A marca apenas foi mais específica onde irá alocar seus esforços e dinheiro em 2019. Como tem uma série de eventos próprios, vai fortalecer as ações em torno deles. Entre ele estão o Harley-Davidson Brasil Ride, o H.O.G. Rally e o H-D Riders’ Camp. Este último, inclusive, não é exclusivo para proprietários de motos Harley-Davidson ou sócios do clube de proprietários (Harley Owners Group – H.O.G.) da marca. Na verdade, não é preciso nem ter uma moto – e isso torna o evento mais abrangente.

Fontes ligadas ao mercado afirmam que o custo do evento em São Paulo é altíssimo, porém sem retorno em vendas ou dinheiro para as marcas. “Para fazer o Salão de Milão (EICMA), que é o maior do mundo, gasta-se cerca de 1/3 do que é usado em São Paulo”, afirmou. Uma delas foi mais contundente: “O salão não existe sem as marcas, mas todo mundo faz dinheiro em cima, menos as marcas”.

É uníssono que o formato precisa mudar para voltar a atender as marcas com a parte da experiência, declarou uma das fontes. O ideal, além da exposição, seria inserir a experimentação, entretenimento e vendas. O formato ideal do Salão Duas Rodas seria adotar um espaço com pista, como o Autódromo de Interlagos, ou o Velo Città, onde ainda houvesse espaço para gerar a área de exposição, segundo fontes.

“Não há como realizar experimentação de motos, especialmente as de média e alta cilindrada, em um espaço que não seja o adequado para isso, para acelerar com segurança e ainda oferecer a experiência ao consumidor que vai conhecer a motocicleta”, concluiu.

TRIUMPH E DAFRA AINDA NÃO DECIDIRAM

Se algumas das marcas mais importantes já declinaram da participação, outras estão ainda em suspenso. A inglesa Triumph e a nacional Dafra/KTM ainda estudam se estarão ou não, no Salão Duas Rodas 2019. Na Triumph, a avaliação passa pela direção nacional e também está sendo alinhado com sede da marca, em Hinckley, na Inglaterra. A Dafra não deu maiores informações. A Royal Enfield, em nota, afirmou que ainda estuda sua participação no evento.

Honda, Yamaha e Kawasaki confirmaram a presença no Salão. O Jornal do Carro não conseguiu contato com a J. Toledo, importadora e representante oficial das marcas Suzuki e Kymco.

MERCADO DE MOTOS

Depois de anos seguidos operando abaixo de um milhão, o mercado de motos fechou 2018 com crescimento leve durante todo o ano, o que levou ao acumulado de 1.036.846 fabricadas. A projeção para 2019 é de 1.080.000 motos.

As vendas ficaram em 940.362 unidades. A estimativa para 2019, segundo a Fenabrave, é de que 1.008.986 motocicletas sejam comercializadas. Um aumento de 7,3% em relação ao ano passado. Já segundo a Abraciclo, a projeção é de 1.031.000 – o que significaria um aumento de 7,7%.

A Abraciclo não quis se pronunciar.

BÔNUS: MOTOS COM O IPVA MAIS CARO DE SP

Confira e a organizadora do evento, a Reed Exhibitions Alcantara Machado divulgou a nota abaixo:

“A Reed Exhibitions Alcantara Machado respeita a decisão de cada marca em participar do evento e continuará trabalhando para que o Salão continue a figurar entre os maiores do mundo no setor. A organizadora seguirá investindo em experiências e atrações para os apaixonados por Duas Rodas e em ferramentas e soluções para garantir cada vez mais retorno aos investimentos dos expositores.

O Salão Duas Rodas 2019 terá ainda mais entretenimento para todas as tribos de apaixonados: Além de poderem ver de perto os principais modelos de cada marca, os fãs do universo Duas Rodas poderão realizar diversos Test Rides, conhecer o trabalho dos maiores nomes da customização, ver supermáquinas exclusivas no Espaço dos Sonhos e muitas outras novidades que serão anunciadas nas próximas semanas.”

*Atualizado 6/2 às 11:10

 


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