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Romi-Isetta 65 anos: relembre a história do primeiro carro brasileiro

Romi-Isetta foi o precussor da produção automobilística nacional e ficou em linha por 5 anos; 3.000 unidades do carrinho foram produzidas

Vagner Aquino, especial para o Jornal do Carro

05 de set, 2021 · 6 minutos de leitura.

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Com estilo único até os dias atuais, o pequeno Romi-Isetta fez grande sucesso entre os artistas brasileiros
Crédito:Romi-Isetta Brasil/Facebook

Em 5 de setembro de 1956 era lançado o Romi-Isetta no Brasil. Há exatos 65 anos, o País recebia um veículo urbano de tamanho compacto, que nasceu na Europa no final dos anos 1940. Por aqui, foi o primeiro automóvel de produção em série.

Sua fabricação ficou a cargo das Indústrias Romi, famosa pela produção de tratores, em Santa Bárbara D’Oeste (SP). O modelo foi, assim, feito no País até 1961. No total, cerca de 3.000 unidades ganharam as ruas brasileiras ao longo dos cinco anos de produção.

Com apenas 2,28 metros de comprimento e 1,38 m de largura, o carrinho conquistou, principalmente, a classe artística. As atrizes Eva Wilma e Dercy Gonçalves, assim como o ator John Herbert, participaram de campanhas do compacto, que tinha seu charme.

Romi-Isetta
Romi-Isetta Brasil/Facebook

O estilo

O Romi-Isetta feito no Brasil tinha conceito de aviação e estilo de sobra. Montado com chassi tubular e eixo dianteiro maior que o traseiro, tinha rodas da frente com molas independentes. O conjunto original tinha 10 polegadas. Nesse sentido, “cortava um dobrado” no irregular asfalto brasileiro.

Dentre as características, destaque para a (única) porta dianteira que – inspirada em aviões cargueiros – quando se abria, levava consigo a coluna de direção. Por dentro, apenas um banco para dois adultos e uma criança. Aliás, dependendo da altura dos ocupantes, bater a cabeça no teto era normal.

A princípio, o Romi-Isetta equipado com motor dois-tempos bicilíndrico de 236 cm³ e 9,5 cv de potência. A velocidade máxima chegava a 85 km/h com o apoio do câmbio de quatro marchas. Já em 1959, a motorização mudou. Entrou em cena o propulsor BMW com quatro tempos monocilíndrico – basicamente, um motor de moto. Tinha 298 cilindradas e 13 cv.

Com esse conjunto, era capaz de atingir os mesmos 85 km/h. Contudo, a transmissão permaneceu, assim como a tração traseira, e o tanque de combustível de apenas 13 litros.

Romi-Isetta
Fundação Romi/Divulgação

História

Foi em 1955 que Carlos Chiti e seu sócio, Américo Emílio Romi, chegaram a Turim (Itália) para negociar a produção nacional do Iso Isetta com sua criadora. Após longa negociação, finalmente, houve a liberação da licença para a fabricação do carrinho no Brasil.

Os trabalhos de instalação da planta e o relacionamento com fornecedores se arrastaram por um ano. Até que, em 1956, estava tudo pronto para a fabricação do Romi-Isetta, cujas carrocerias vinham da Tecnogeral, empresa de São Paulo. O índice de nacionalização, assim, chegava a 72%. Seu lançamento, em 5 de setembro de 1956, parou a capital paulista, com caravana e até desfile no Estádio do Pacaembu.

Todavia, após tanto sucesso, o Romi-Isetta se viu no meio de uma polêmica. Afinal, era considerado ou não automóvel? De acordo com Claudio Romi, neto de Américo Emílio Romi e diretor da Federação Brasileira de Veículos Antigos (FBVA), sim.

Romi-Isetta
Fundação Romi/Divulgação

Um fim precoce

“De início, o Brasil não tinha regulamentação. Entretanto, o Grupo Executivo da Indústria Automobilística (GEIA) criou novas regras. Dessa forma, para que recebessem benefícios do governo de Juscelino Kubitschek (empossado Presidente da República em 1956), os veículos precisavam ter duas portas e duas fileiras de bancos. E não tínhamos”, explica.

Foi dessa maneira que o Romi-Isetta, ao perder seus incentivos, teve o preço duplicado e se tornou menos vantajoso que outros modelos do mercado, como o DKW-Vemag, que foi o segundo carro de produção em série do País. Mas o Romi-Isetta não resistiu ao ostracismo e saiu de linha, em 1961.

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De acordo com Romi, houve planos de volta do compacto durante o Governo Itamar Franco (1992 a 1995). “Apesar dos estudos e da vontade, era financeiramente inviável, pois, naquela época, a indústria já consumia investimentos milionários, impossibilitando nosso retorno ao mercado. Com isso, o projeto foi engavetado”, finaliza.

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